Macron faz nova tentativa para aproximar a Sérvia e o Kosovo

Numa altura em que há dois acordos que estão em aberto, qualquer encontro entre os líderes dos dois países é uma boa notícia. As relações são de tal ordem crispadas que a última grande questão fraturante teve a ver com… matrículas automóveis.

Num quadro em que a União Europeia parece estar convencida que as relações entre a Sérvia e o Kosovo são o conflito potencial mais óbvio no espaço europeu, o presidente francês, Emmanuel Macron, vai fazer nova tentativa de aproximar as relações diplomáticas – se é que se podem chamar assim – entre os dois países dos Balcãs.

O primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, adiantou esta quinta-feira que está em cima da mesa a possibilidade de um encontro seu com o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, em Paris, à margem do Fórum da Paz, que ali se realiza.

“Além do jantar de trabalho neste fórum, pode haver uma reunião trilateral com o presidente da Sérvia, que também foi convidado. A minha equipe de seis membros do gabinete estará comigo”, escreveu Kurti numa rede social.

Mas o primeiro-ministro repetiu a posição que mantém: está interessado em assinar um acordo sobre a normalização das relações entre os dois lados com foco no reconhecimento mútuo. “Temos duas propostas em cima da mesa: a minha para o quadro geral do acordo apresentado na reunião de 18 de agosto de 2022 em Bruxelas, bem como a proposta franco-alemã que conta com o apoio dos Estados Unidos da América e de países europeus” – e que na substância pretende que a Sérvia deixe de impedir o Kosovo de evoluir na cena internacional.

Vucic já disse que a França e a Alemanha propuseram à Sérvia não bloquear a participação do Kosovo em organizações e instituições internacionais, incluindo as Nações Unidas, em troca de uma integração mais rápida na União Europeia. Mas o país não se mostrou muito agradado com a imposição – tanto mais que, entretanto, a Sérvia tem-se aproximado diplomaticamente da Rússia.

O eventual encontro entre Kurti e Vucic surge na sequência da crise no norte do Kosovo, onde membros da comunidade sérvia deixaram as instituições kosovares, após a suspensão do diretor da polícia para a região norte, Nenad Duric – que recusou implementar a decisão do governo do Kosovo sobre o novo registo de matrículas automóveis emitidas pela Sérvia para as cidades do Kosovo. As planas ostentam as iniciais KM (Kosovska Mitrovica), que são ilegais para o Kosovo, mas até agora eram toleradas nos municípios do norte, em detrimento das que ostentam RKS (República do Kosovo). Assim vão as relações entre o Kosovo, que se tornou unilateralmente independente em 2008, e a Sérvia.

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