Macron insiste nas críticas ao protecionismo dos EUA

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) “não estão em pé de igualdade” em relação aos subsídios norte-americanos previstos no grande plano climático de Joe Biden, que privilegia os produtos “made in USA”, lamentou hoje o Presidente francês.

Erin Schaff/The New York Times

Emmanuel Macron, de visita oficial aos Estados Unidos, já criticara quarta-feira os subsídios contidos no ambicioso plano do Presidente norte-americano, considerando-os “comercialmente super-agressivos” para as empresas europeias.

O presidente francês está a ser recebido hoje na Casa Branca, em Washington, com quem analisará, além da questão do protecionismo comercial – em cima da mesa está a difícil questão dos projetos de recuperação industrial norte-americanos –, grandes questões internacionais, como as relações com a China e a guerra na Ucrânia.

A aliança com os Estados Unidos “é mais forte do que tudo”, mas a Europa não deve tornar-se uma “variável de ajuste” numa altura em que Joe Biden lança todas as forças da primeira potência mundial na rivalidade com a China, sublinhou Macron.

“É super-agressivo para os nossos negócios”, alertou quarta-feira o chefe de Estado francês, durante um almoço com congressistas no Capitólio, no quadro de uma visita a Washington.

Os grandes subsídios decididos pelo Presidente norte-americano, na importante medida económica e social chamada Lei de Redução da Inflação (IRA), são “super-agressivos para as empresas [europeias]”, realçou Macron durante o encontro, segundo um jornalista da France-Presse (AFP) presente na sala.

“Coloque-se no meu lugar”, referiu o governante francês aos congressistas, acrescentando: “Você pode resolver o seu problema, mas vai piorar o meu” com essa agenda.

Para Macron, estes investimentos podem “matar muitos empregos” na Europa, caso não exista uma melhor coordenação transatlântica.

“Ninguém me contactou quando o IRA estava em negociações”, insistiu, apelando para que seja “respeitado como um bom amigo”.

A França vê com preocupação o patriotismo económico demonstrado pelo Presidente democrata americano, com o lema “Made in USA”.

Joe Biden pretende, em particular, impulsionar o setor dos veículos elétricos, com o objetivo de aumentar o emprego industrial, a transição energética e a competição tecnológica com a China.

O plano lançado por Joe Biden prevê quase 375 mil milhões de dólares (368,9 mil milhões de euros) em programas climáticos e de energia destinados a ajudar o país a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em cerca de 40% até 2030.

O pacote será financiado, em grande parte, por aumentos de impostos, incluindo um novo imposto sobre recompras de ações de empresas e um imposto mínimo de 15% para empresas com lucros muito elevados.

Em relação ao ambiente, o projeto de lei injetará quase 375 mil milhões de dólares ao longo da década, o que para os consumidores significa benefícios fiscais para a compra de veículos elétricos.

Do ponto de vista norte-americano, a visita de Estado de Macron espera virar de vez a página da grave crise diplomática do ano passado.

Em setembro de 2021, os Estados Unidos anunciaram uma nova aliança, AUKUS, com a Austrália e o Reino Unido, despertando a fúria da França, pois perdeu um “mega-negócio” para a venda de submarinos a Camberra.

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