Macron nomeia Elisabeth Borne para substituir Jean Castex

Emmanuel Macron imita Miterrand e convida uma mulher para o cargo de chefe do próximo executivo. Terá como função convencer os franceses de que o renovado partido do presidente é a soma de muitas partes.

Élisabeth Borne, até agora ministra do Trabalho, Emprego e Integração, será nomeada primeira-ministra, sucedendo assim a Jean Castex, que apresentou a sua demissão. A nomeação da ministra não constitui uma grande novidade, dado que o seu nome era já avançado na semana passada, numa altura em que o país se prepara para eleições parlamentares no próximo mês de junho.

A ideia de Macron é, segundo os analistas franceses, a de apresentar ao país um novo governo de combate que, por um lado, tenha uma base de apoio alargada – desde os socialistas que têm o seu partido mais ou menos desfeito até à direita moderada, passando pelos gaulistas, que foram muito mal-tratados nas presidenciais deste mês.

Desta forma, Macron – que também mudou o nome do seu partido República em Marcha para Renascimento – quer dar a entender que o segundo mandato será tão enérgico como o anterior, com a diferença de que o será ainda mais! No interior do partido que mudou de nome, os sinais amarelos soaram na mesma noite em que Macron ganhou a segunda volta das presidenciais: a margem de vitória encolheu substancialmente em relação à vitória de 2017 e a esquerda estava entretanto a preparar um assalto em forma ao parlamento.

Para combater o grupo que com dificuldade e aos poucos se vai juntando a Jean-Luc Mélenchon, Macron quis desde logo ‘aliciar’ os descontentes do Partido Socialista. O partido teve um resultado desastroso nas presidenciais, mas uma parte dos socialistas não viu nenhuma vantagem em ligar-se aos comunistas, radicais, anti-europeistas e outros ‘compagnons de route’ de Mélenchon – pelo que a adesão a um aparentemente renovado projeto de Macron afigurou-se-lhes uma alternativa credível.

Um dos que não quis enfileirar atrás da esquerda foi o ex-presidente François Hollande – que não se recandidatou em 2017, deixando os socialistas nas mãos de Macron – que disse na semana passada que uma ligação a esse grupo seria desvirtuar o partido herdeiro de François Miterrand, que se manteve sempre longe do na altura poderoso Partido Comunista Francês de Georges Marchais.

Primeiro responsável pelos transportes, depois pela transição ecológica, Elisabeth Borne assumiu a chefia do enorme e algo paquidérmico Ministério do Trabalho em julho de 2020. Chegou a trabalhar no gabinete de Lionel Jospin, então Ministro da Educação Nacional, como assessora técnica, em 1991

Passa a ser a segunda mulher a ascender ao lugar, depois de Eith Cresson (1991), nomeada por Françóis Miterrand, e que acabou da pior forma – com acusações de corrupção enquanto era Comissária Europeia.

Tanto à esquerda como à direita, Macron foi fortemente criticado por ter demorado tanto tempo a encontrar um nome que pudesse suceder a Jean Castex, depois de ter ganho as eleições presidenciais. Para os críticos, o presidente teve dificuldade em encontrar o perfil certo, primeiro, e o nome certo depois.

A demora sucedeu num contexto em que a esquerda e a extrema-direita tomaram conta da agenda política francesa com vista às eleições de junho. Neste quadro, Macron pode vir a ter dificuldade em reencontrar uma maioria absoluta para ganhar. Este governo é precisamente uma primeira evidência de que o presidente terá possivelmente de contar com uma política de alianças para que o Renascimento possa continuar a colocar no terreno o projeto político de Macron por mais cinco anos.

Recomendadas

Síria: Rússia propõe manter por seis meses envio de ajuda humanitária a zona rebelde

A Rússia propôs emendas a um projeto de resolução apresentado pela Irlanda e Noruega e reduziu o período para as entregas. Apelou ainda para o aumento dos esforços que garantam entregas de ajuda humanitária “completas, seguras e sem restrições” ao longo das linhas de conflito na Síria, indicou a agência noticiosa Associated Press (AP).

EUA: Taxas de juros mais restritivas podem ser necessárias para conter a inflação

No entanto, consideraram que tais medidas são necessárias para desacelerar os aumentos de preços com vista à meta anual de 2%.

França vai assumir 100% do controle da empresa de energia EDF

A decisão, anunciada em sessão no Parlamento, acontece num momento em que as tarifas de eletricidade não páram de subir, situação agravada com a guerra na Ucrânia. O Estado retira assim de bolsa a EDF.
Comentários