Madeira: “Guerra da banana” graças ao PS?…

O líder regional do PS poderá ter despoletado uma espécie de “guerra da banana” entre os dois executivos depois de ter decidido, esta semana levar a Lisboa, para uma audiência com o ministro da agricultura, uma comitiva de produtores de banana, pescadores e de pastores locais.

Pereira justificou esta iniciativa partidária em Lisboa, envolvendo o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Regional, Capoulas dos Santos, pela necessidade de debater os “baixos rendimentos auferidos no sector da banana, a concorrência externa, as quotas de pesca, as melhores condições para pescadores e as dificuldades no pastoreio”.

Carlos Pereira acusou o Governo insular de estar “enclausurado” dentro dos gabinetes, “ignorando por completo a realidade daqueles que trabalham e do povo madeirense, revelando ainda que os membros das autarquias e do governo regional foram eleitos para resolverem os problemas dos cidadãos e não para se refugiarem sempre que acontece um problema”.

“É inadmissível que estejamos à espera de resposta as perguntas feitas ao secretário regional há oito meses e que continue a aguardar por espaço na agenda do governante para uma reunião pedida há dois meses”, disse.

Desvalorização

Se é um facto que a iniciativa partidária foi desvalorizada, quase ignorada em termos mediáticos e pelo executivo local – não foi grande o impacto informativo à volta de uma ação partidária, até porque nenhuma medida concreta seria tonada – tudo mudou quando foi anunciada a possibilidade do ministro Capoulas dos Santos visitar a Madeira para discutir questões relacionadas com a produção de banana regional.

Acresce que no final da reunião de Lisboa foi revelado ser intenção dos socialistas alterar uma portaria permitindo que seja possível novas associações de produtores de banana, temática que não sendo resolvida no quadro legislativo, pode chegar aos tribunais conforme ameaça deixada por deputados do PS eleitos pela Madeira.

Em causa uma portaria do Governo regional madeirense que impede que os produtores de banana da Região se juntem em associações.

A portaria impede que os agricultores se juntem em agrupamentos, o que faz com que a GESBA – Empresa de Gestão do Sector da Banana – tenha o monopólio.

Carlos Pereira denuncia o que diz ser “uma sovietização do setor da banana na Madeira”, e admitiu que a “reestruturação no setor da banana falhou, porque os rendimentos dos produtores estagnaram e o aumento da produção tem sido desperdiçado”.

Já José Gomes, da Associação de Pastores da Madeira, lamentou as dificuldades que os pastores sentem em pastorear na Madeira e revelou ter convidado o ministro a deslocar-se à Região por ocasião das tosquias em Santo António (Funchal) para conhecer os problemas no terreno”.

Antonino de Abreu, produtor de banana, reconheceu que “somos mais maltratados e vivemos debaixo de uma ditadura”.

“Não precisamos de um Governo que faça promessas, mas de um Governo que trabalhe”, referiu.

Governo madeirense reage

Em resposta, o governo regional garante que a estratégia está definida no sector da produção e comercialização da banana madeirense e que a entrada da empresa pública, GESBA, “veio acabar com os problemas no sector”

Num comunicado o executivo insular garante que não admite “qualquer ingerência externa no sector da banana”.

“Depois de um período de falência total do setor, provocado pela má gestão das cooperativas onde os agricultores não recebiam a tempo e horas, onde as bananas eram deixadas em caixas no cais do porto de Lisboa a se perderem e existiam muitos processos contra os responsáveis das cooperativas, entramos num período de grande crescimento de produção de banana na Madeira”, acrescenta o comunicado oficial

Daí que o executivo insular garanta que “a entrada de uma empresa de capitais públicos, solução encontrada, veio permitir acabar com os problemas no sector trazendo pagamentos a tempo e horas aumentando o rendimento aos agricultores e distribuição de lucros a todos por igual.”

Referindo que os números mostram a evolução do sector, que a banana é hoje melhor paga do que no passado e que o mercado exige regras de segurança alimentar incompatíveis com métodos de produção que não se adequam e que nada têm com o “processar banana numa garagem e sem condições”, a secretaria regional da agricultura, sem nunca fazer qualquer alusão ao PS, reafirma:

“Enquanto formos governo não permitiremos qualquer interferência externa no sector como objetivo da sua destruição, tanto em valor como em qualidade. Os mesmos que hoje defendem o regresso das cooperativas ou associações, foram os mesmos que antigamente estiveram ligados à quase destruição deste sector”.

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