Madeira: Iniciativa Liberal mostra preocupação com arrefecimento do turismo no inverno

A força partidária critica a falta de estratégia da região no turismo e acusa as entidades governamentais de passividade face aos sinais de abrandamento da atividade turística.

A Iniciativa Liberal mostrou preocupação com o arrefecimento da atividade turística, na Madeira, para o inverno. A força partidária critica a falta de uma estratégia de promoção estruturada por parte da região e acusa as entidades governamentais de passividade face aos sinais de quebra no turismo.

“Confirmam-se os piores cenários da operação inverno no que toca a cancelamentos, mais concretamente, a partir de janeiro. Essa quebra é mais significativa com o mercado alemão, mas é de prever que o mesmo aconteça com outros mercados como o inglês, por via da crise inflacionista e de energia em que vivemos”, diz o partido.

A Iniciativa Liberal diz que as queixam surgem por parte de agentes de viagens e de hoteleiros, enquanto que o secretário do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, “não sabe de nada”.

A força partidária refere que uma “breve e não exaustiva” busca por informação, mostra que “a Sundair deixará de operar para Bremen e Düsseldorf, a Corendon reduz todas as operações significativamente (Colonia, Düsseldorf, Nuremberga, Hanôver, Munster), a Eurowings cancelou, por agora, uma frequência (Düsseldorf)”, o que terá implicações para a atividade turística da região.

A Iniciativa Liberal acrescenta que um secretário que diz que os cancelamentos “não afetam a economia, não vive neste mundo”, e sublinha que neste momento já se contabiliza “uma redução de 26 mil passageiros, que, por norma, ficam sete dias, o que dá 182.000 dormidas”.

Iniciativa Liberal espera arrefecimento do turismo

A força partidária sublinha que a Madeira teve “um excelente” 2022 no turismo mas que em novembro já deve sentir um arrefecimento. “O que tivemos este ano, está longe de ser esperado em 2023”, sublinha a Iniciativa Liberal.

O partido critica a “pouca ou nenhuma resposta” da Madeira face às campanhas “agressivas” que estão a ser promovidas por países como o Egipto, a Turquia e a Tunísia. “Um cinco estrelas na Turquia, all inclusive, está a ser vendido por 528 euros. Na Madeira, em regime de bed & breakfast, vende-se por 622 euros. Menos por mais”, diz a Iniciativa Liberal.

Mas as críticas da Iniciativa Liberal não se ficam por aqui. O partido considera que não existe uma política de promoção “estruturada, que nos diferencie dos outros, que seja apelativa”, que não existe “um plano concreto, uma estratégia de promoção do destino”, acrescentando que a região vive de “medidas desgarradas e sempre na direção do vento”, valorizando “os prémios do clique… um drama não o termos ganho este ano o Europeu. Mas safámo-nos com o Mundial”.

A força partidária denuncia que muitos hoteleiros se deslocam ao estrangeiro, para de uma forma “desgarrada” promoverem o seu produto, visto sentirem na pele a “incapacidade das entidades regionais de o fazerem”.

O partido considera “muito preocupante” a passividade demonstrada pela região relativamente a 2023. “Os agentes ajustam-se, medem constantemente o mercado fazendo benchmark, de modo a aferir o aprimoramento de processos, produtos e serviços. A conversa oca e “achista” do costume, nada lhes diz. Arrefecer expectativas e agir de imediato no mercado seria do mais elementar bom senso”, afirma a força partidária.

“Mas não, no meio disto tudo, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, disse, alto e bom som para quem o quis ouvir, que “já temos marcações a partir de abril muito significativas”. Dos contactos que efetuamos ninguém confirmou nada disto. Das duas uma, ou o presidente do Governo sabe de coisas que nem os hoteleiros sabem, ou mentiu. Houve quem nos dissesse que “daqui até abril é um mundo de tempo, só cerca de um mês antes é que se pode afirmar com essa determinação qual o panorama em que vamos viver””, reforça o partido.

A Iniciativa Liberal considera que se em 2023 existir um bom ano turístico fica afastado o cenário de recessão. “Se isso não acontecer sofreremos bastante. É o problema de termos a economia sustentada por um único produto, o turismo. Uma verdadeira monocultura, resultado de políticas de abandono a outros sectores, como o primário (agricultura e pescas), de falta de ambição e de incapacidade em criar um regime fiscal próprio de fiscalidade reduzida”, refere a força partidária.

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