“Madeira não tem quadros para a procura na hotelaria”

O grupo Savoy quer consolidar o investimento atual na hotelaria na ilha da Madeira, onde sobressai a construção do novo Savoy Palace.

Ao Económico Madeira, Bruno Freitas, administrador executivo do grupo Savoy, não afasta apostas em boas oportunidades. No entanto, no caso da Região Autónoma da Madeira, diz que há uma questão que não pode ser descurada. Acentua que “o crescimento também tem de ser adequado à capacidade que a Madeira tenha de poder dar recursos para que se possa fazer essa expansão”. Explica que, em matéria de novos quadros, a Região “não está preparada para empregar no imediato, com mão-de-obra qualificada e especializada, porque não a tem. Existe uma taxa de desemprego considerável na Região, mas não nesta área, onde a empregabilidade é praticamente nula”.

Historiando o grupo, Bruno Freitas reconhece que a participação do grupo na hotelaria era muito ténue. Mantém a unidade de quatro estrelas que tem há 17 anos, na Calheta, no oeste da ilha, o Calheta Beach, com cerca de 150 quartos. Em 2009, o grupo decidiu avançar com a construção de uma nova unidade no mesmo concelho. O então Saccharum (hoje Savoy Saccharum), igualmente de quatro estrelas, abriu em 2015. Com esse passo, o grupo entendeu que havia chegado a hora de consolidar a sua atividade no setor da hotelaria.

Surgiram oportunidades, ponderadas e analisas. Uma delas passava pela aquisição do Grupo Savoy, através da aquisição da empresa Siet Savoy, com dois hotéis em atividade, o Royal Savoy (5 estrelas) e o Savoy Gardens (4 estrelas). Possuía igualmente um outro ativo, um projeto imobiliário para a construção de uma nova unidade hoteleira a erguer no espaço do emblemático Savoy que já tinha sido deitado completamente abaixo.

Esta aposta, segundo refere o administrador executivo, permitiria ao grupo “conciliar a atividade da construção civil, com recurso de meios próprios, numa perspetiva de economia de escala, podendo criar essas sinergias, mantendo a sua atividade core, mas reforçando o seu investimento e a sua presença na Região numa perspetiva de turismo”.

Obra segue ritmo normal e fica concluída no verão de 2018

O administrador refere que o ritmo de construção do Savoy Palace está conforme delineado para que o cinco estrelas fique pronto no final do verão de 2018. Os trabalhos começaram a quatro de janeiro do corrente ano. Nesta fase trabalho, laboram direta e indiretamente no hotel em construção cerca de 250 empregados.

Depois de concluídas as obras, Bruno Freitas diz que vão trabalhar no novo cinco estrelas da cidade do Funchal cerca de 200 pessoas. No entanto, evidencia que este número será ultrapassado, seguramente, tendo em linha de conta o exemplo do Savoy Saccharum, que arrancou em abril de 2015 com cerca 60 a 70 pessoas. Em dois meses, o quadro de pessoal foi reforçado para cerca de 100 empregados. Hoje, a unidade, que aguarda uma reclassificação para passar de quatro para cinco estrelas, já emprega 120 pessoas, o dobro do que a administração tinha previsto no início.

Por isso mesmo, admite que em termos operacionais, se tudo correr como esperado na perspetiva do crescimento turístico que se prevê para o destino Madeira, as duas centenas poderão facilmente chegar às 250 ou às 300 pessoas, na medida em que haverá já que contar com economias de escala.

O Savoy Palace deverá ter cerca de 420 quartos e 840 camas, e muitas áreas comuns e de serviços, que o administrador diz carecerem de muita de mão-de-obra tecnicamente especializada.

Como fatores distintivos do novo hotel que está a ser erguido, que tem sido alvo de algumas críticas, em grande parte, devido à volumetria do edificado, o executivo acentua que se trata de “um projeto arrojado e que tenta recuperar a qualidade e a memória do turismo na Madeira”. Explica que a intenção passa por dotar a unidade como uma infraestrutura moderna “mas nunca deixando para trás a exuberância, a qualidade e o requinte que o antigo Savoy proporcionava ao turismo da Madeira”.

Além disso, reconhece que se trata de uma herança “bastante grande” ter a marca Savoy a alicerçar, a qual evidencia a “aposta clara na qualidade, na formação e na prestação do serviço”.

Bruno Freitas sublinha que aquilo que sempre distinguiu a marca Savoy no turismo da Madeira “é um serviço e atenção que se dá ao cliente de forma a que se sinta na sua própria casa”. Não obstante, revela que o Savoy Palace terá novas facilidades que o Savoy Clássico não tinha como seja uma diversidade com seis piscinas diferenciadas; áreas exclusivas para clientes VIP e que optem por serviço premium; áreas unicamente destinadas ao público adulto e outras direcionadas para ambientes mais familiares.

Ligações entre o Clássico e Palace

Quanto a ligações entre o Savoy Clássico e o Savoy Palace, o administrador executivo do Grupo Savoy, aponta, além da localização e na aposta clara no bom atendimento, que há uma preocupação no aproveitamento de alguns pontos e de elementos chave a nível decorativo e igualmente na própria toponímia de espaços do novo hotel. “Estamos a procurar recuperar a memória do Savoy sabendo de antemão que é um projeto distinto do que havia inicialmente. Mas há um espólio que mantemos do anterior Savoy que será aproveitado na decoração e utilização no novo”, revelou.

Novas oportunidades

O administrador adiantou que o Grupo Savoy não está à procura de mais hotéis na Madeira. No entanto, “todas as oportunidades, tal como tem acontecido nesta estratégia de desenvolvimento, serão equacionadas”. Questionado acerca da possibilidade de ser adquirido o empreendimento do Madeira Palácio, Bruno Freitas disse claramente que deixou, “praticamente”, de ser hipótese, apesar de referir que foi um projeto que chegou a ser avaliado e equacionado. Mas, perante o projeto Siet, “numa relação de perspetivas de futuro, a opção recaiu sobre este projeto mais interessante”.

Neste sentido, não fechando a porta a oportunidades que possam surgir, evidencia que não estão à procura até porque, como acentuou, “temos de consolidar a nossa presença e os investimentos que estamos a fazer sem estarmos a dispersar recursos e focos noutros projetos sem termos este ainda concluído”.

O Porto Santo está fora da rota de investimentos. Contudo, equacionam fazer um investimento no continente, mas “depois de consolidarmos esta fase de construção do Savoy Palace”. Seja como for, diz que todas as oportunidades no país e mesmo fora, serão equacionadas.

Acerca do timesharing, que fazia parte do projeto dos anteriores donos, Bruno Freitas diz que está a ser pensada mas em muito menor escala. “É um projeto mais direcionado para hotel, que o diferenciará do Royal Savoy. De certa forma, estamos a pegar na ideia original do Savoy”, sublinha.

Neste momento, o Grupo Savoy, sem contar com a nova unidade, tem cerca de 700 quartos, aos quais se irão adicionar mais 420 daqui a dois anos. Serão então cerca de 1.120 quartos que se irão traduzir em 2.240 camas.

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