Madeira: Secretaria do Mar e Pescas colabora no plano estratégico de aquacultura de São Tomé e Príncipe

Teófilo Cunha diz que São Tomé “sabe acolher e colocar em prática” aquilo que são as principais recomendações das Nações Unidas, que indica a aquacultura “como o meio mais sustentável” de assegurar o acesso das populações ao consumo de peixe, recomendação que, no caso de África, tem ainda a função primordial de combater a fome.

O plano estratégico de aquacultura de São Tomé e Príncipe e a construção do primeiro centro de maricultura daquele país estão a ser desenvolvidos com a colaboração técnica e científica do Governo Regional, através da secretaria regional de Mar e Pescas.

A confirmação foi avançada pela diretora de pescas da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Aida Almeida, que terminou duas semanas de permanência na Madeira, onde recebeu formação técnica e científica no Centro de Maricultura da Calheta, tendo se reunido esta quinta-feira com o secretário regional de Mar e Pescas, Teófilo Cunha, com a diretora regional do Mar, Mafalda Freitas, e Carlos Andrade, diretor do Centro de Maricultura da Calheta, para um primeiro balanço

A cooperação entre a Região Autónoma da Madeira e aquele país insular de língua oficial portuguesa teve início em setembro de 2021 quando o ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Regional, Francisco Martins dos Ramos, visitou a Região e dirigiu um pedido expresso ao secretário regional de Mar e Pescas, Teófilo Cunha, para formar quadros santomenses e prestar colaboração técnica.

O protocolo foi assinado praticamente no mês seguinte, entre a direção regional de Pescas, a direção regional do Mar e a diretora de pescas de São. Tomé. Logo depois, em Janeiro de 2021, o diretor do Centro de Maricultura da Calheta, Carlos Andrade, deslocou-se durante uma semana aquele país para formar quadros, desenhar o plano estratégico de aquacultura e trabalhar no projeto de construção do primeiro centro de maricultura.

Agora foi a vez da diretora de Pescas de São Tomé se deslocar à Madeira para receber formação nas áreas das pescas e da aquacultura: “Nunca se fez aquacultura no meu país, estamos agora a trabalhar diretamente com o Centro de Maricultura da Calheta, o diretor do Centro já esteve em São Tomé, identificou o sítio para implementarmos o nosso centro de maricultura e ele próprio está a trabalhar na memória descritiva”, revelou a governante santomense.

“Eu própria vim cá fazer formação durante duas semanas, aprendi bastante no Centro da Calheta e nós acreditamos que o nosso centro será um afilhado do centro da Calheta”, apontou, realçando que “outra vertente que já acertamos é a Região ajudar-nos na elaboração do plano estratégico nacional para a aquacultura sustentável de São Tomé e Príncipe.”

Devido às condições económicas do país, onde a agricultura é a base fundamental, o desenvolvimento da aquacultura irá desenrolar-se em dois planos, explicou a governante. A maricultura e a piscicultura, esta última a ser instalada nas zonas rurais para satisfazer as necessidades das pessoas que têm maior dificuldade de acesso a peixe do mar. Este plano será estruturado de maneira a poder servir as cantinas das escolas, dado que São Tomé é dos países do mundo com um dos maiores consumos de peixe per capita.

Aida Almeida agradeceu a colaboração do Governo Regional da Madeira e referiu que se trata de “uma cooperação profícua”, que já apresenta resultados práticos. “Prova disso é termos iniciado o protocolo em N«novembro do ano passado, e neste espaço de tempo eu própria já vim à Madeira três vezes e o diretor do Centro de Maricultura já foi ao nosso país”, sublinhou.

O secretário regional de Mar e Pescas transmitiu à diretora de pescas de São Tomé e Príncipe “toda a disponibilidade” do Governo Regional para apoiar, no plano técnico, científico e da formação, o país de língua oficial portuguesa na concretização do seu projeto de desenvolvimento sustentável das pescas e aquacultura.

Teófilo Cunha diz que São Tomé “sabe acolher e colocar em prática” aquilo que são as principais recomendações das Nações Unidas, que indica a aquacultura “como o meio mais sustentável” de assegurar o acesso das populações ao consumo de peixe, recomendação que, no caso de África, tem ainda a função primordial de combater a fome.

“Para aqueles que são céticos em relação a este modelo de produção de alimentos, aqui está a resposta de um país com dificuldades económicas, mas com uma visão de futuro para produzir peixe em quantidades suficientes para o consumo das suas populações, mas também para a criação de riqueza”, referiu Teófilo Cunha.

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