Maersk vai investir 10 mil milhões em Espanha para produzir combustíveis verdes

A empresa Maersk, líder mundial em transportes por mar, vai instalar em Espanha dois centros de produção de metanol verde, para abastecimento de novos barcos, anunciou hoje o Governo espanhol, que estima 10 mil milhões de euros de investimento.

Segundo um comunicado do Governo de Espanha, “o objetivo da Maersk é produzir milhões de toneladas de e-metanol que alimentem os seus navios antes de 2040, começando por cerca de 20 barcos de grande tamanho que começarão a funcionar com metanol verde em 2023-2024”.

Os dois centros que a empresa dinamarquesa vai construir em Espanha deverão ter capacidade para produzir anualmente dois milhões de toneladas, sendo que a empresa estima vir a precisar de 20 milhões de toneladas por ano quando tiver substituído toda a sua frota por barcos abastecidos com novos combustíveis verdes (menos poluentes do que os atuais).

O projeto para Espanha, que deverá concretizar-se em centros de produção na Andaluzia e na Galiza, deverá traduzir-se num investimento de 10 mil milhões de euros, “em conjunto com parceiros privados nacionais e internacionais”, e na criação potencial de 85 mil postos de trabalho diretos e indiretos, segundo o comunicado de hoje do Governo espanhol.

A empresa e o executivo espanhol assinaram hoje um protocolo de entendimento para a concretização destes projetos e a previsão é que até junho de 2023 sejam detalhados mais pormenores, como o calendário de construção e de início de produção, o financiamento e as localizações concretas dos centros de produção de metanol verde.

Fontes do Governo de Espanha admitiram a possibilidade de canalização de fundos europeus espanhóis para o projeto.

“Este projeto alinha-se perfeitamente com a estratégia de Espanha de reindustrialização, de transição energética justa e o plano de ação do hidrogénio verde, avançando com o cumprimento do compromisso comum de descarbonização da União Europeia”, afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, citado no comunicado do Governo espanhol.

Sánchez acrescentou que “Espanha quer liderar a descarbonização do transporte naval e ser um os corredores verdes mais importantes do tráfico marítimo”.

O metanol verde que a Maersk pretende produzir em Espanha tem na origem hidrogénio verde, que por sua vez necessita de energias renováveis, como a eólica ou a fotovoltaica, para ser produzido.

Fontes do executivo espanhol disseram que a empresa vai precisar de ter entre 20 a 80 parques eólicos em Espanha, dependendo do tamanho, para a produção dos dois milhões de toneladas de metanol verde anuais.

Ainda segundo as mesmas fontes, a Maersk vai instalar entre cinco e seis centros de produção de combustíveis verdes para a descarbonização da frota até 2040.

Até agora, foi anunciado um centro no Egito e estes dois em Espanha.

O metanol verde é ainda uma tecnologia experimental e apenas uma das que está a ser encarada como possível substituta dos combustíveis fósseis atuais, a par to amoníaco verde.

Segundo fontes do Governo de Espanha, a Maesrk fez, para já, a opção pelo metanol verde e nesse sentido avançará o primeiro centro de produção em Espanha, podendo o segundo dedicar-se ao metanol ou ao amoníaco.

O grupo dinamarquês Møller-Mærsk é líder mundial no transporte marítimo de carga e teve lucros de 8.879 milhões de dólares (8.966 milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, segundo revelou a empresa na semana passada.

A Maersk tem uma frota de 750 navios, emprega mais de 100 mil pessoas em todo o mundo e tem 20% da quota de mercado global no setor em que opera.

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