Magistrados belgas voluntários ficam presos dois dias para saber como é viver na prisão

A experiência decorre este fim-de-semana: os magistrados seguem o horário diário normal dos detidos, comem as mesmas refeições e têm as mesmas atividades obrigatórias.

Cinquenta e cinco magistrados voluntários vão ficar detidos este fim de semana numa prisão na região de Bruxelas para experienciarem a vida dos detidos, anunciou este sábado, 17 de setembro, o ministro da Justiça belga, Vincent Van Quickenborne.

“Os magistrados sabem como as coisas são feitas numa prisão, mas experimentá-las por si mesmos pode ajudá-los a pronunciar sentenças com pleno conhecimento dos factos”, disse o ministro federal, citado no comunicado.

Os magistrados chegaram às 09h00 (08h00 em Lisboa) à prisão de Haren, uma nova instalação com capacidade para 1.190 reclusos que deverá abrir no dia 30 de setembro, onde serão tratados como verdadeiros detidos até ao final de domingo, explicou à France-Presse um porta-voz da administração prisional.

“Os magistrados participantes – juízes criminais, juízes de instrução, procuradores (…) – voluntariaram-se. Seguirão as ordens e instruções do pessoal da prisão. O objetivo é tornar o encarceramento o mais realista possível”, refere o comunicado.

“Não poderão usar os telemóveis, mas terão a oportunidade de receber visitas de familiares, tal como os verdadeiros detidos. Os magistrados seguem o horário diário normal dos detidos, comem as mesmas refeições e têm as mesmas atividades obrigatórias. Farão, entre outras tarefas, serviço de empregados na cozinha e de lavandaria. Às 22:00 as luzes apagam-se”, disse o ministério.

“Esta imersão oferece aos magistrados que ditam as condenações a prisão a oportunidade de experimentar o que significa a privação de liberdade”, disse Rudy Van de Voorde, diretor-geral dos Estabelecimentos Penitenciários, também citado no comunicado.

Recomendadas

Josep Borrell pressiona Israel sobre os palestinianos

O primeiro-ministro israelita Yair Lapid e o chefe de política externa da União desentenderam da reunião do Conselho da União Europeia-Israel, em Bruxelas. Pontos de vista diferentes sobre a Palestina e sobre o Irão ficaram bem evidentes.

Bulgária: eleições longe de resolverem crise política

Acusado de corrupção, o GERB voltou a ganhar as eleições e arrisca manter o país ingovernável. A única forma de ultrapassar o impasse seria um governo de coligação entre os dois maiores partidos, mas isso não parece estar no horizonte.

Indonésia. Polícia sob pressão pelo uso indiscriminado de gás lacrimogéneo

Os desacatos num estádio de futebol resultaram em 125 mortos, 17 dos quais crianças, de acordo com as autoridades. A atuação da polícia gerou o caos e vai contra as indicações da FIFA.
Comentários