Maior banco de Angola vai ser recapitalizado. Pode precisar de 2 mil milhões de dólares, avisa Fitch

Numa nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, a Fitch estima que “as necessidades de recapitalização deste banco sistémico podem chegar a 2 mil milhões de dólares”, mais de 1,8 mil milhões de euros, o que representa cerca de 2% do PIB de Angola.

A agência de ‘rating’ Fitch considerou hoje que o Banco de Poupança e Crédito de Angola (BPC) pode precisar de 2 mil milhões de dólares do Estado, elevando a dívida pública para cerca de 85% este ano.

“Pensamos que a maior necessidade de capital provavelmente estará no BPC, que tem uma quota de mercado de 26%”, escrevem os analistas desta agência de ‘rating’.

Numa nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, a Fitch estima que “as necessidades de recapitalização deste banco sistémico podem chegar a 2 mil milhões de dólares”, mais de 1,8 mil milhões de euros, o que representa cerca de 2% do PIB de Angola.

“A Fitch antevê que a dívida pública suba para 83% do PIB no final deste ano e emitir dívida para recapitalizar o BPC elevaria ainda mais este valor, por isso esperamos que o banco central vá permitir alguma flexibilidade relativamente aos prazos de recapitalização” deste banco público.

O alerta surge numa nota sobre os prazos que o banco central angolano deu às entidades financeiras para corrigirem as necessidades de capital decorrentes de uma análise a 13 entidades financeiras, finalizada em setembro, mas cujos resultados não são ainda públicos.

“Não sabemos o tamanho da carência de capital descoberta ou se os valores vão ser divulgados, seja banco a banco, seja no agregado, mas encaramos a capitalização dos bancos como genericamente fraca, tendo em conta o volume de crédito malparado e a concentração de empréstimos em nome de uma só entidade”, escrevem os analistas.

O prazo dado pelo Banco Nacional de Angola para corrigir as deficiências encontradas no relatório de setembro termina em junho de 2020, “um prazo apertado”, considera a Fitch.

“O acesso rápido a novos e significativos montantes de capital pode ser difícil devido às fragmentadas estruturas acionistas de alguns bancos privados e à incerteza sobre se os bancos estrangeiros vão querer aprofundar o envolvimento financeiro nas suas subsidiárias angolanas, tendo em conta as fracas perspetivas macroeconómicas do país”, escrevem os analistas.

Ainda assim, mesmo que os bancos tenham dificuldade em cumprir o prazo e o montante de recapitalização necessários, a Fitch diz que isto é positivo do ponto de vista da análise da qualidade do crédito “desde que os bancos mais fracos sejam aglomerados em operações maiores com posições de capital mais fortes”.

Angola tem 27 bancos a servir uma população de 30 milhões, mas os cinco maiores bancos têm uma quota de mercado a rondar os 75% em termos de empréstimos, pelo que “as fusões entre os maiores bancos privados criaria um risco de uma concentração ainda maior entre os principais bancos”.

O BPC é o maior, com 26% de quota de mercado, seguido do Banco Angolano de Investimentos, com 22%, o Banco Millennium Angola, com 12%, o Banco BIC, com 10%, e o Banco de Fomento Angola e o Banco de Desenvolvimento de Angola, ambos com 6%, são os maiores a operar no país.

As fusões entre os bancos mais pequenos, conclui a Fitch, seria igualmente positiva do ponto de vista do ‘rating’ do setor, mas apenas “se os investidores forem convencidos a fortalecer a posição de capital dos bancos, o que será desafiante tendo em conta o fraco ambiente operacional em Angola”.

Assim, concluem, “não será uma surpresa se um ou mais bancos forem fechados caso não cumpram os requisitos de capital até ao final de junho de 2020”.

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