Mais de 50 bancos mundiais anunciaram quase 78 mil despedimentos este ano

A “Bloomberg” compilou os registos das instituições bancárias e os dos sindicatos e concluiu que é o maior número de despedimentos desde 2015. Morgan Stanley foi o último a anunciar despedimentos.

Mais de 50 bancos em todo o mundo anunciaram este ano planos para cortar de empregos: 77.780 postos de trabalho no total, o maior número desde 2015. Há quatro anos, foram anunciados 91.448 cortes por parte das instituições financeiras globais, segundo os dados compilados esta sexta-feira pela agência “Bloomberg”.

Só nos últimos seis ter-se-ão perdido 425 mil empregos na banca, e acordo com os registos das organizações e dos sindicatos. Apesar de os bancos europeus representarem quase 82% deste total, foi o banco norte-americano Morgan Stanley o último a anunciar despedimentos, no início deste mês: cerca de 1.500 a nível mundial (na ordem do 2% da sua força de trabalho), mas primeiramente em Londres e Nova Iorque.

A “Bloomberg” refere que os valores reais até poderão ser mais elevados, tendo em conta que muitos bancos eliminam postos de trabalho sem aviso prévio. O objetivo é sobretudo aumentar a lucratividade, numa altura em que o contexto político-económico é de disputas comerciais, taxas de juros negativas e necessidade de adaptação à digitalização do setor e à desaceleração económica.

Em Portugal, houve uma “assinalável redução do número de trabalhadores” na banca, uma vez que se em 2008 havia um total de 78.963 trabalhadores, em 2018 o valor era de 62.895 trabalhadores (menos cerca de 16 mil), mas, ainda assim, com predominância de trabalhadores “com muitos anos de experiência e de idade”, pode ler-se num recente relatório do Banco de Portugal (BdP).

O BdP explica ainda que também o número de balcões no país sofreu uma significativa redução desde 2010, com cerca de duas mil agências a encerrarem. No entanto, o número manteve-se acima da área do euro nesta última década.

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