Mais de 60% dos trabalhadores gostariam de testar semana de quatro dias

Mais de 60% dos trabalhadores quer experimentar uma semana de trabalho com menos dias, indica o estudo anual da Coverflex, que foi divulfado esta terça-feira. Cerca de dois em cada dez dos inquiridos disse desejar uma semana de 32 horas, mesmo que tal implicasse um corte salarial.

Mais de 60% dos trabalhadores portugueses gostariam de experimentar a semana de trabalho de quatro dias, mantendo, ainda assim, a carga de 40 horas. A conclusão é do estudo “O estado da compensação 2022-23”, organizado pela Coverflex, e é conhecida numa altura em que, na Concertação Social, estão a ser negociados os moldes do projeto-piloto no âmbito do qual várias empresas portuguesas vão testar uma semana laboral mais reduzida já no próximo ano.

De acordo com o estudo, que foi divulgado esta terça-feira, 62,1% dos trabalhadores inquiridos gostariam de experimentar trabalhar as 40 horas semanais distribuídas por quatro dias, ou seja, estão abertos a cumprir dias de trabalho mais longos (dez horas, em média) em troca de uma semana mais curta.

Por outro lado, 23,9% dos trabalhadores ouvidos disseram desejar trabalhar 32 horas semanais, mesmo que isso significasse um corte no seu salário.

O projeto-piloto que está a ser definido na Concertação Social prevê a possibilidade da carga horária semanal ser reduzida para essas 32 horas, mas já está firmado que nenhum trabalhador terá cortes salariais. O teste arrancará em junho e os empregadores que aderirem não terão qualquer apoio do Estado para suportar essa redução do tempo trabalhado sem um corte proporcional da remuneração.

Convém notar também que o estudo da Coverflex mostra que apenas 14% dos inquiridos continuam a preferir a semana de 40 horas em cinco dias.

Já entre os factores relacionados com o trabalho mais valorizados pelos trabalhadores, destaca-se o equilíbrio entre a esfera profissional e pessoal (64% dos inquiridos realçou este ponto), seguindo-se as oportunidades de progressão na carreira (11,8%) e as condições de trabalho (11,5%). “Dentro destas preferências, os homens tendem a valorizar mais o work-life balance (66,1%, contra 62,1% das mulheres) enquanto que o sexo feminino valoriza, comparativamente, mais as condições de trabalho (13,2% contra 9,8%)”, explica a empresa.

Este estudo tem como base um inquérito realizado entre 14 de setembro e 4 de outubro com 1.438 inquiridos.

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