Mais de dois terços das empresas portuguesas preveem aumentar os preços de venda em 2022

O INE e o Banco de Portugal decidiram realizar uma nova edição do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (IREE) em maio de 2022, uma vez que a pandemia ainda não foi debelada e os efeitos do conflito armado na Ucrânia acentuaram os problemas dos canais de abastecimento e o aumento dos preços.

O Banco de Portugal (BdP) e o Instituto Nacional de Estatística (INE) lançaram uma nova edição do “Inquérito Rápido e Excecional às Empresas: O impacto da atual conjuntura internacional na atividade das empresas em Portugal”.

Segundo o inquérito, e em resposta às perguntas: Qual o impacto da recente conjuntura internacional no volume de negócios das empresas portuguesas? E qual o efeito destes desenvolvimentos na evolução dos preços em 2022? Para 83% das empresas, a atual conjuntura internacional – em particular o conflito na Ucrânia, o aumento dos custos energéticos e de outras matérias-primas e bens intermédios, bem como a dificuldade no acesso a matérias-primas –  tem um impacto negativo na evolução do volume de negócios em 2022. Ainda assim, 54% das empresas perspetivam um aumento do volume de negócios em 2022 face ao ano anterior e apenas 14% preveem uma redução.

Relativamente às perspetivas para os preços, 67% das empresas preveem aumentar os preços de venda em 2022, sendo que 48% antecipam aumentos de pelo menos 5%. Das empresas que esperam subir os preços em 2022, 60% assinalam o aumento dos custos com matérias-primas/bens intermédios (não energéticos) como principal motivo. O aumento dos custos energéticos é também considerado como muito relevante para o aumento dos preços por 49% das empresas.

“O Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal decidiram realizar uma nova edição do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (IREE) em maio de 2022, uma vez que a pandemia ainda não foi debelada e os efeitos do conflito armado na Ucrânia acentuaram os problemas dos canais de abastecimento e o aumento dos preços da energia e de outros produtos essenciais às cadeias produtivas”, refere o banco central em comunicado.

Este inquérito surgiu em abril de 2020, com o objetivo de identificar alguns dos principais efeitos da pandemia Covid-19. Ao longo dos períodos de maior intensidade da pandemia e atendendo à evolução das restrições, foram efetuadas várias edições do inquérito para avaliar o seu impacto na atividade económica das empresas, lembra o BdP.

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