Mais de metade dos jovens europeus compraram produtos falsificados em 2021

A compra intencional de falsificações aumentou de 14% em 2019 para 37% o ano passado. Contudo, em relação a pirataria, 60% dos jovens europeus (68% em Portugal) disseram preferir o acesso a conteúdos digitais de fontes legais, em comparação com 51% em 2019 e 40% em 2016.

Mais de metade (52%) dos europeus com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos disseram ter comprado pelo menos um produto falsificado em linha durante o ano passado, quer intencionalmente quer de forma acidental, e um terço (33%) disse ter acedido a conteúdos digitais a partir de fontes ilegais.

As conclusões são de um inquérito do Painel de Avaliação da Propriedade Intelectual e Juventude, divulgado esta quarta-feira pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO).

Analisando aqueles que o fizeram intencionalmente, 37% compraram um produto falsificado, um aumento significativo face aos 14% em 2019. O número varia consideravelmente por país, sendo a percentagem mais elevada registada na Grécia (62%) e a mais baixa na República Checa (24%). Em Portugal, foram 34%.

Os produtos contrafeitos que os jovens mais compram intencionalmente são roupas e acessórios (17%), seguidos de calçado (14%), dispositivos eletrónicos (13%), e higiene, cosméticos, cuidados pessoais e perfumes (12%).

Não obstante, 60% dos jovens europeus disseram preferir o acesso a conteúdos digitais de fontes legais, em comparação com 51% em 2019 e 40% em 2016. Em Portugal, esta percentagem é mais elevada e representa 68% dos jovens.

Contudo, a pirataria intencional mantém-se estável, com um em cada cinco (21%) jovens consumidores a reconhecerem ter acedido conscientemente a conteúdos pirateados nos últimos 12 meses, valor superior aos 17% em Portugal. O principal tipo de conteúdos pirateados foram filmes (61%) e séries televisivas (52%), seguidos de música (36%), utilizando sobretudo websites dedicados, aplicações e plataformas de redes sociais.

“Numa altura em que o comércio eletrónico e o consumo digital têm vindo a crescer significativamente, o aumento da compra intencional e não intencional de bens falsificados é uma tendência preocupante. Quanto à pirataria, esta não diminuiu, mesmo que os jovens consumidores prefiram cada vez mais conteúdos provenientes de fontes legais”, afirmou o diretor executivo do EUIPO, Christian Archambeau.

O preço e a disponibilidade continuam a ser os principais fatores para a compra de contrafações e para a pirataria digital, mas a influência dos pares e da sociedade é também cada vez mais importante. “Outros fatores incluem não se importar se o produto é uma falsificação (ou se a fonte do conteúdo é ilegal), não notar qualquer diferença entre produtos originais e falsificados e a facilidade de encontrar ou encomendar produtos falsificados online. Um em cada 10 inquiridos mencionou recomendações de influenciadores ou pessoas famosas”, informa a nota.

Por sua vez,  as ciberameaças e a fraude cibernética estão entre os principais fatores dissuasores, mas questões como uma melhor compreensão do impacto negativo sobre o ambiente ou sobre a sociedade são agora mais amplamente mencionadas pelos jovens inquiridos.

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