Têxtil e vestuário. Mais um ano de recordes, com vendas ao exterior de seis mil milhões

O ano está a correr bem, mas forneceu indicadores negativos para 2023. A quebra das encomendas está a marcar o trimestre.

As exportações do sector têxtil e do vestuário deverão ficar muito próximas dos seis mil milhões de euros no final de 2023 – que comparam com os 5,4 mil milhões (já de si um recorde) que foram atingidos no fim do ano passado. “Estamos a crescer a dois dígitos, o que nos faz prever que vamos ter o melhor ano de sempre em termos das exportações”, disse ao JE o presidente da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP), Mário Jorge Machado.

Mas talvez estes números sejam uma espécie de espelho enviesado: “há que ter em atenção que o ano está claramente dividido em duas partes distintas”, disse. Na primeira parte, as exportações cresceram a bom ritmo, tal como tinha sucedido no ano anterior; mas, com a guerra e os fatores desfavoráveis que já se verificavam antes – por exemplo o aumento do preço das matérias-primas e dos transportes – a segunda parte do ano foi muito menos positiva.

“O crescimento manteve-se, principalmente a partido do terceiro trimestre, muito à custa da inflação e não de novas encomendas”, o que aponta para um ano de 2023 que é tudo menos previsivelmente positivo, refere Mário Jorge Machado. “Houve uma travagem a fundo das encomendas” – que deverá continuar em 2023.
A explicação é simples: o sector está fortemente exposto ao consumidor final – que, quando chega a hora de cortar custos familiares, opta por cortar no vestuário.

Para rodear este problema, a ATP tem vindo a batalhar junto da União Europeia – no seio da federação sectorial europeia, a Euratex – por uma série de medidas que, se aceites, podem minimizar os impactos exógenos da guerra e da subida das taxas de juro. Desde logo através do estabelecimento de um teto máximo para o preço do gás. A medida foi apresentada em Bruxelas, mas a Comissão Europeia não parece disposta a aceitá-la.

Mas o tradicional sector têxtil debate-se com outros problemas, recordou Mário Jorge Machado. Desde logo, a falta de mão-de-obra: as empresas têxteis estão muito expostas à proximidade da idade da reforma dos seus trabalhadores e, com as dificuldades em angariar jovens para a indústria, o problema tem vindo a agravar-se consecutivamente todos os anos.

Produzir com valor-acrescentado
A receita está identificada: os têxteis nacionais precisam de apostar cada vez mais na produção de alto valor-acrescentado, diferenciadora e sustentável. Neste capítulo, recordou o presidente da ATP, os têxteis nacionais estão na linha da frente: ao contrário do que se verificou ao longo de décadas, a produção nacional é agora identificada nos mercados externos como de grande qualidade e assentando em pressupostos de circularidade e de sustentabilidade em relação aos quais Portugal é inclusivamente pioneiro.

Para isso muito tem contribuído o trabalho comum muito estreito entre as empresas e alguns dos mais importantes centros de investigação do país – entre eles o CITIVE e o CeNTI – a que se costuma juntar a academia. Neste capítulo, o sector têxtil será um dos que em Portugal tem conseguido fazer a síntese entre a teoria e a prática – o que tem contribuído em larga escala para a criação de produtos com alto valor-acrescentado, a que os mercados externos têm sido sensíveis.

Os principais mercados externos têm sido fundamentalmente estáveis: Espanha, o primeiro, continua a perder quota em detrimento de França, o segundo. E os Estados Unidos mantêm-se como o mercado alternativo mais auspicioso.

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