“Ninguém nos quis ouvir”. Serviços de inteligência dos EUA queixam-se de que foram ignorados sobre talibã (com áudio)

Um alerta recente dos serviços norte-americanos avisava que Cabul poderia ficar isolada no espaço de 30 a 60 dias e que poderia cair para os talibã no espaço de 90 dias, mas a queda da capital afegã aconteceu mais depressa do que o previsto.

Líderes talibã

“Não nos quiseram ouvir. Os líderes norte-americanos foram avisados pelos militares de que os talibã conquistariam tudo rapidamente”.

É assim que uma fonte dos serviços de inteligência dos Estados Unidos da América descreve como o poder político foi avisado para os riscos da saída do exército norte-americano do país.

Segundo várias fontes dos serviços de inteligência dos EUA, houve vários alertas sobre o poderio dos talibã que se intitulam de Emirado Islâmico do Afeganistão.

Os alertas chegaram a recordar inclusivamente a queda de Saigão em 1975, quando as forças comunistas do Vietname do Norte invadiram a cidade do sul do país, obrigando os diplomatas norte-americanos a deixar rapidamente a embaixada, recorrendo a helicópteros, num momento imortalizado em fotografia. Recorde-se que a guerra do Vietname tinha terminado dois anos antes com a saída do exército dos Estados Unidos do país após a assinatura dos acordos de paz de Paris.

Outro parecer que veio a público recentemente alertava que a capital Cabul poderia ficar isolada no espaço de 30 a 60 dias e que poderia cair para os talibã no espaço de 90 dias, segundo a “ABC News”.

A embaixada dos EUA em Cabul foi evacuada e soldados norte-americanos regressaram ao país para assegurar a segurança do aeroporto da capital por onde milhares de pessoas têm deixado o Afeganistão.

Várias fontes também disseram à “ABC” que foi um erro o anúncio prévio de retirada do país por parte de Donald Trump e de Joe Biden, por poder ter tido o efeito de impulsionar a ofensiva talibã.

“O que está a acontecer no Afeganistão não é o resultado de uma falha de inteligência. É o resultado de várias políticas falhadas por várias administrações. De todos os intervenientes ao longo dos anos, a comunidade de inteligência é de longe a que tem avaliado melhor a situação no Afeganistão”, segundo o antigo diretor da CIA Michael Morell.

O exército dos EUA tinha retirado oficialmente do país a 4 de julho, 20 anos depois de ter derrubado o regime talibã/Al-Qaeda em resposta aos ataques do 11 de setembro às Torres Gémeas, em Nova Iorque. Em duas décadas, os EUA investiram mais de 83 mil milhões de dólares a treinar soldados e a equipar o exército afegão.

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