Manso Neto: “As pessoas não podem estar condenadas a depósitos a prazo ou dívida pública”

Greenvolt vai dar mais detalhes na próxima semana sobre o futuro a dar aos 150 milhões que obteve junto de pequenos aforradores.

João Manso Neto defendeu hoje que a compra de obrigações de empresas por pequenos aforradores é uma forma de os portugueses aplicarem as suas poupanças.

As declarações tiveram ligar depois de a Greenvolt financiar-se em 150 milhões de euros junto de quase cinco mil pequenos investidores.

“O retalho é uma fonte muito importante, não há muita oferta complementar, não há muitas alternativas. Demos oportunidade aos investidores de retalho, este mercado tem muito potencial. As pessoas não podem estar condenadas a depósitos a prazo ou dívida publica”, afirmou hoje durante o evento de conclusão da emissão obrigacionista.

A taxa de juro média nos depósitos a prazo em Portugal é a segunda mais baixa da UE (ex aqueo com a Eslovénia, 0,07%), segundo os dados mais recentes do BCE. Já os certificados de aforro estão com uma taxa de juro bruta para novas subscrições em novembro de quase 2,5%, segundo o IGCP, um valor mais atraente face aos depósitos a prazo.

Questionado sobre se a energética pretende repetir a fórmula, foi perentório: “Porque não? A primeira experiência correu bem. Esta é uma alternativa para as pessoas aplicarem poupanças”.

O gestor destacou que a taxa fixa bruta de 5,2% foi decidida com o objetivo de apresentar ao “público um produtor muito simples. 5,2% não há cá coisas esquisitas, tudo muito simples. Sabe perfeitamente porque é que comprou, operação perfeitamente linear” com o intuito de “ganhar a confiança do retalho para coisas simples”.

Em relação ao aumento do valor da emissão de 100 milhões para 150 milhões, Manso Neto disse que a empresa optou por uma postura mais cautelosa inicialmente para “ver como o mercado reagia”, mas que depois decidiu aumentar perante a procura. “Se havia gente interessada porque havia de ratear?”.

A empresa garante ter uma “política financeira muito realista” e que não se vai “comprometer com investimento sem ter a certeza” que tem dinheiro disponível.

Sobre a finalidade dos 150 milhões, se já tem mercados definidos ou tipo de tecnologia, Manso Neto disse que o “dinheiro não tem rótulo” e que “vai sendo ajustado”.

Para mais pormenores, vai ser preciso esperar pela divulgação de resultados a 22 de novembro, dia em que a empresa vai avançar com mais detalhes.

“Trabalhamos com um ano e meio, dois anos, de antecipação. Não estou hoje a levantar dinheiro para o que preciso amanhã, mas este dinheiro já vai ser utilizado para os projetos a seguir”, avançou.

A Greenvolt financiou-se hoje em 150 milhões junto de quase cinco mil pequenos investidores em obrigações verdes com uma taxa fixa de juro bruto de 5,2%, com maturidade em 2027. A procura superou em 26% a oferta.

“Com esta emissão, a Greenvolt obtém os fundos que lhe permitirão acelerar, de forma sustentada, o seu crescimento. Tendo por base a produção de energia a partir da biomassa, o grupo está a expandir-se no negócio das energias renováveis”, segundo a energética que avança ter um pipeline de 6,7 gigawatts, com 2,9 gigas em “estado avançado de desenvolvimento até ao final de 2023”.

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