Manuel Clemente: “Quando se fala em presentes, o mais importante é que cada um de nós também se torne presente”

O cardeal-patriarca de Lisboa exortou esta terça-feira os cristãos a retornarem à tradição do presépio, num caminho de reencontro com o “essencial” do Natal.

Cerimónia de ordenação episcopal de Tolentino Mendonça como arcebispo presidida pelo cardeal partriarca de Lisboa, Manuel Clemente (ausente na foto) esta tarde no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, 28 de julho de 2018. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, exortou esta terça-feira os cristãos a retornarem à tradição do presépio, num caminho de reencontro com o “essencial” do Natal.

Na sua tradicional mensagem de Natal, Manuel Clemente alertou que a forma como se assinala o Natal, com “tanta festa”, se contribui para que o dia “seja realmente especial”, corre risco de “despistar um pouco, com tanta realidade exterior, com tanta luz de fora, daquilo que é o seu essencial: porque é que existe Natal?”.

“Natal significa ‘nascimento’. E não é um nascimento qualquer, é o nascimento de Cristo, há dois milénios, em Belém de Judá, e é esse o acontecimento que nós, realmente, estamos a celebrar, para sermos autênticos e para termos todo o fruto e proveito para as nossas vidas, das nossas famílias e da nossa sociedade inteira”, escreveu o cardeal na sua mensagem natalícia.

Manuel Clemente recorreu, na sua mensagem, à Carta Apostólica “Admirabile Signum” (O Sinal Admirável), que o Papa Francisco publicou no início do mês de dezembro sobre o presépio, onde exorta a que se “retome esta tradição do presépio”.

“O Papa relembra que, à volta do Presépio, toda a vida pode e deve encontrar-se nas suas mais diversas manifestações”, sublinhou o patriarca de Lisboa, acrescentando que Francisco “particulariza e diz que a natureza está presente, naquela noite iluminada, naqueles pastores que vêm com os seus gados, com tudo aquilo que vai contornando os nossos presépios… É a natureza! E a natureza precisa de se reencontrar, como nós sabemos, com toda esta premência ecológica”.

“O Papa recorda também aqueles que vêm ao Presépio. Antes de mais, os pastores: gente simples que vivia do essencial e que também, nesse sentido, nos tem uma lição a dar para vivermos aquilo que realmente importa, embora importe a todos”, escreveu Manuel Clemente, sublinhando que o presépio chama os cristãos ao “acolhimento de um Deus que nasce na maior das simplicidades, identificando-se com tudo quanto é simples e frágil”.

Natal quer dizer “’nascimento’, nascimento de Deus no mundo como na tradição cristã se apresenta e que, hoje, é tão importante apresentar assim. Ou seja, na fragilidade das coisas, na ocorrência normal das vidas, mas tudo concentrado em torno do essencial”, recordou o cardeal patriarca de Lisboa.

“Quando se fala em presentes, o mais importante é que cada um de nós também se torne presente onde precisamos de estar. Porque, por vezes, oferecem-se presentes de fora para, de alguma maneira, colmatar – mas sem o conseguir – a falta de presença real junto dos outros e daquelas realidades que nos esperam. Que a lição do Presépio seja a nossa verdade e, na alegria desta noite, seja também a reconstrução do mundo”, escreveu Manuel Clemente.

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