Marcelo aponta “problema de princípios” a Ana Gomes após referência a Ricardo Salgado

“Eu nunca diria de si o que disse de mim”, sentenciou Marcelo Rebelo de Sousa, depois de a antiga eurodeputada ter referido a sua amizade com o ex-presidente do Banco Espírito Santo.

Marcelo Rebelo de Sousa em debate com Ana Gomes

O debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes, transmitido nesta noite de sábado pela RTP1, acabou por ser o mais tenso de todos 0s que envolveram o candidato à reeleição para um segundo mandato na Presidência da República, com o atual chefe de Estado a apontar “um problema de princípios” à antiga eurodeputada socialista. Algo que sucedeu após Ana Gomes ter dito que, “pela sua revelação de amizade com Ricardo Salgado”, Marcelo “é uma das pessoas mais interessadas” em que se apure o que aconteceu no Banco Espírito Santo.

“Não sei se percebe o quão ofensivo é o que disse. Tenho o mesmo interesse em todos os portugueses”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa, que depois de recordar que ao longo do seu mandato Ricardo Salgado foi condenado três vezes pelo Banco de Portugal e encontra-se acusado no âmbito do processo do BES. “Tentou pôr em causa a minha honorabilidade. Em política não vale tudo. Eu nunca diria de si o que disse de mim. É um problema de princípios”, acrescentou o atual Presidente da República, contrapondo a atitude da sua adversária nas eleições presidenciais quanto ao hacker Rui Pinto.

“Quem decide é a justiça e o Presidente da República não se substitui aos tribunais”, disse ainda Marcelo, enquanto Ana Gomes concordou que cabe à justiça “apurar os crimes”, mas referiu que se deve valorizar o contributo de Rui Pinto para o apuramento da verdade em casos como o Luanda Leaks e o Football Leaks, sugerindo que um chefe de Estado deveria ter intervenção. “Acha normal um Presidente de República pronunciar-se sobre um caso judicial? Quem fala sobre tudo é a senhora embaixadora, que é comentadora”, sentenciou o chefe de Estado, que mesmo antes do final do debate moderado por Carlos Daniel ainda comentou que Ana Gomes “como Presidente deve ser muito interessante”.

“Debate das ideias” contra “proibir e ilegalizar” Chega

Após um início de debate morno, dedicado à questão da realização de eleições numa fase da pandemia em que Portugal deverá estar em confinamento geral, Ana Gomes e Marcelo Rebelo de Sousa começaram a divergir, como seria esperado, na questão do Chega. A antiga eurodeputada recorreu ao falecido Diogo Freitas do Amaral, que num debate com Mário Soares terá dito que “jamais normalizaria forças extremistas”, para atacar o adversário de debate por ter aceite uma solução de governo nos Açores que conta com apoio parlamentar do partido liderado por André Ventura. Em sua opinião, Marcelo deveria ter dado ao PS, enquanto partido mais votado, oportunidade para conseguir uma maioria parlamentar e, se tal não fosse possível, teria que dizer ao PSD que “aquele tipo de entendimento não era aceitável”.

Perante isto, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a perguntar “como é que um Presidente da República recusa uma maioria parlamentar” e expôs as suas divergências com Ana Gomes. Criticando a intenção muitas vezes repetida pela antiga eurodeputada de pedir a ilegalização do Chega, o Presidente da República defendeu que se “ganha no debate das ideias” com Ventura – afirmando que tanto ele como a interlocutora o fizeram nos debates com o líder do Chega – e não “proibindo e ilegalizando” o partido.

Depois de Ana Gomes defender que é preciso “recuperar para o espaço democrático” os eleitores de André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa perguntou-lhe “porque é que esperou por ser candidata presidencial para pedir a ilegalização do Chega” e reiterou que esse tipo de ataques “é que dá peso a esses sectores”. Por seu lado, a eurodeputada voltou a dizer que, caso seja eleita, será “incisiva na relação normal com a Procuradoria-Geral da República para ter encorajamento para fazer o seu trabalho”.

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