Marcelo e as demissões na CGD: “As pessoas mudam mas as instituições fortes permanecem”

Presidente da República comentou pela primeira vez a saída de António Domingues da Caixa Geral de Depósitos.

Cristina Bernardo

No dia seguinte ao anúncio oficial da demissão de António Domingues, o chefe do Estado Português mostrou-se confiante quanto ao futuro da Caixa Geral de Depósitos (CGD). “Há um plano, há um projeto que vai ser executado”, esclareceu Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, durante a visita dos Reis de Espanha ao Porto.

“As pessoas mudam mas as instituições fortes permanecem”, continuou o Presidente da República, dando primazia à visita de Felipe VI e Letizia a Portugal. “O que é importante neste dia são as relações entre Portugal e Espanha”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O governo, que nas palavras de António Costa “lamenta a decisão”, deverá indicar ao mecanismo de supervisão europeu o sucessor de António Domingues “ainda esta semana”.

O Ministério das Finanças confirmou a demissão do Presidente do Conselho de Administração da CGD no domingo, alertando que “a renúncia só produzirá efeitos no final de dezembro”.

A breve Presidência de António Domingues decorreu envolta em polémicas sobre os limites salariais dos gestores da CGD e sobre a entrega das declarações de património e de rendimentos no Tribunal Constitucional.

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