Marcelo diz que combater o que se vive noutros países passa por ajudar os mais pobres

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje que a única forma de combater a xenofobia que se vive noutros países é ajudar todos os dias os mais pobres, “independentemente da religião ou do partido político”.

Cristina Bernardo

Marcelo Rebelo de Sousa está hoje a participar num almoço de Natal que a comunidade islâmica em Portugal oferece há já 13 anos a centenas de pessoas carenciadas, “crentes, de todas as crenças, e não crentes”.

A iniciativa encheu hoje a Mesquita Central de Lisboa, numa organização que acontece não só nesta época natalícia, mas ao longo de todo o ano.

“A única maneira de combatermos o que se vive lá fora, noutros países, é fazendo isto: é todos os dias ajudando, sobretudo os mais pobres, mais carenciados, independentemente da religião, do partido político, da opinião política. É isso que se deve fazer”, defendeu o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no meio dos cumprimentos, beijinhos e ‘selfies’ que durante uma hora distribuiu, antes dos discursos e de se sentar finalmente à mesa para almoçar.

“O exemplo fortifica e o exemplo de 13 anos já deste encontro de Natal da comunidade islâmica, correspondente a 50 anos de presença aberta à sociedade portuguesa, é um exemplo que se deve multiplicar”, apelou.

Segundo o chefe de Estado, a grande maioria das pessoas que recebem este apoio da comunidade islâmica “não é muçulmana”, mostrando “o que deve ser a sociedade portuguesa, uma sociedade diversa, tolerante, fraterna”.

Neste almoço, relatou aos jornalistas, encontrou “o líder da comunidade mórmon, evangélicos, católicos, budistas”.

“Esta comunidade está em Portugal há cerca de 50 anos, integrou-se e tem continuado a crescer permanentemente, mas manteve uma abertura a toda a sociedade portuguesa e tem uma obra social para toda a sociedade portuguesa, que é espetacular e isso é muito bom, porque é isso que pode fazer a diferença num momento em que há tanta xenofobia, tanta intolerância, tanto racismo, tanta discriminação”, defendeu.

Questionado sobre se sente necessidade, enquanto Presidente da República, de preencher espaços vazios deixados pelo Governo e pelos partidos, Marcelo Rebelo de Sousa contrapôs que esses “espaços estão a ser preenchidos pela sociedade civil”.

“Os partidos políticos não têm de organizar este tipo de encontros, nem os parceiros económicos e sociais. Isto deve partir da sociedade civil”, concretizou.

O chefe de Estado insistiu num elogio que já tem feito em diferentes ocasiões.

“A sociedade civil, mesmo no tempo da crise, aguentou largamente a crise com exemplos de solidariedade como este”, enalteceu.

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