Marcelo Rebelo de Sousa admite dar posse a um governo com apoio parlamentar do Chega

“O partido está ilegalizado? Não está”, justificou o candidato a ser reeleito Presidente da República.

Rui Ochoa / Presidência da República / Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa disse que “não vê razão constitucional” para não dar posse a um futuro governo que conte com o apoio parlamentar do Chega. Numa entrevista à SIC, que foi a primeira concedida desde que anunciou a recandidatura, deixou claro que não encontra razão para excluir uma solução que envolva o partido liderado pelo seu adversário eleitoral André Ventura.

“O partido está ilegalizado? Não está”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que, entre “as muitas coisas que o Presidente da República faz”, existem “algumas de que gosta mais e outras de que gosta menos”. Sobre o apoio parlamentar do Chega que viabilizou o governo da coligação de centro-direita nos Açores, garantiu que “não teve intervenção nenhuma”, embora considere que o representante da República “atuou constitucionalmente bem” ao aceitar a solução que permitiu empossar o social-democrata José Manuel Bolieiro como presidente do governo regional.

Recusando-se a qualificar André Ventura de extremista ou de oportunista, como lhe foi perguntado pelos entrevistadores, o candidato à reeleição realçou que o aumento de peso eleitoral do Chega depende em larga margem da reação dos restantes partidos. “A forma como o tratam ou não o tratam dá-lhe peso”, disse, advertindo que o estarão a fortalecer “se o colocarem no centro das suas estratégias”.

Marcelo Rebelo de Sousa negou também ser o responsável pelo aparecimento de novas forças partidárias na direita devido a um posicionamento excessivamente ao centro, dizendo que nunca pretendeu ser “um Presidente de facção” e “não foi eleito para proteger a direita”. Pelo contrário, alegou ter “chamado a atenção, à direita e à esquerda, para o risco de surgirem novos movimentos “nas margens do sistema”.

Para o candidato à reeleição é evidente que os partidos tradicionais têm muita dificuldade em lidar com os motivos para a afirmação de partidos como o Chega, e que já integram governos em mais de uma dúzia de países europeus. “Chamam-lhes populistas e não percebem que há um conjunto de insatisfações no plano económico e social que lhes dão lastro”, sentenciou.

Sem se pronunciar quanto à possibilidade de Rui Rio vir a ser o próximo primeiro-ministro de Portugal em 2023, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “olhando para as últimas sondagens está em construção uma alternativa”. No entanto, advertiu que o centro-direita só irá ao poder se conseguir obter 45% dos votos, o que é muito exigente.

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