Marcelo teve de vencer preconceito do “político-celebridade” para usar popularidade como trunfo

Esta é uma das conclusões do livro “O Presidente celebridade”, da autoria da jornalista da RTP Sandra Sá Couto, que foi também a sua tese de doutoramento em informação e comunicação em plataformas digitais, que será apresentado publicamente no início de dezembro.

Marcelo Rebelo de Sousa teve de vencer “o preconceito” do “político-celebridade” que existia quando chegou ao Palácio de Belém, antes de começar a usar a popularidade como “grande trunfo” do seu mandato presidencial.

Esta é uma das conclusões do livro “O Presidente celebridade”, da autoria da jornalista da RTP Sandra Sá Couto, que foi também a sua tese de doutoramento em informação e comunicação em plataformas digitais, que será apresentado publicamente no início de dezembro.

“O preconceito em relação à celebridade de Marcelo Rebelo de Sousa foi ultrapassado à medida que o Presidente desempenhou as suas funções em Belém”, conclui a jornalista.

Sandra Sá Couto considera, no entanto, que o preconceito “deu lugar a uma crítica alargada sobre a forma como o chefe de Estado se expõe continuamente nos media, comentando todos os assuntos, e como se aproveita da sua popularidade para exercer a presidência”.

A tese de doutoramento é de 2019 e não abrange as controversas declarações de Marcelo sobre o abuso sexual de menores por elementos da Igreja Católica portuguesa ou sobre os direitos humanos no Qatar.

A também professora auxiliar da Universidade do Porto investigou os editoriais dos jornais e concluiu que “não surpreende que Marcelo, sem os apelidos Rebelo e Sousa, seja a palavra mais utilizada”.

“O tratamento pelo nome próprio, usado sozinho e sem apelidos, é raro quando os cidadãos ou os jornalistas se referem a um político, mas Marcelo Rebelo de Sousa teve um percurso público na televisão onde ficou justamente conhecido apenas pelo nome próprio”, lembra.

A jornalista recorda o programa da televisão pública “As escolhas de Marcelo”, no qual as interlocutoras Maria Flor Pedroso ou Ana Sousa Dias o tratavam por “Professor”, mas que “abriu caminho a um tratamento mais familiar, até porque o comentador entrava na sala dos portugueses todos os domingos”.

Sandra Sá Couto vai buscar um editorial do Diário de Notícia em que se escreve que “a popularidade tornou Marcelo Rebelo de Sousa inimputável” ou entrevista com o antigo diretor do Público David Dinis (hoje diretor adjunto do Expresso” no qual corrobora a ideia de que a popularidade é “um trunfo que faz aumentar os poderes de um Presidente”.

“É com essa margem aumentada pela sua popularidade que Marcelo Rebelo de Sousa vai exercendo influência a partir de Belém”, defende a professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Foi “a capacidade de comunicação, o conhecimento que tem dos media, a inteligência emocional” que projetaram a popularidade de Marcelo e a tornaram no seu “grande trunfo”.

“Se a análise dos editoriais revela que os jornais de referência são críticos em relação a Marcelo no final do seu primeiro ano de mandato por considerarem que o chefe de Estado dá sinais de querer resolver tudo, é importante assinalar que no decorrer das nossas entrevistas, realizadas a terminar o segundo ano de Marcelo em Belém, há uma clara ‘rendição’ dos jornalistas e cientistas políticos ao estilo mais interventivo”, escreve.

Sandra Sá Couto indica que os entrevistados consideraram mesmo que “o Presidente da República está, com a sua popularidade, a atuar como deve perante as circunstâncias e exigências do país”.

A repórter da RTP retoma a ideia do jornalista e comentador Paulo Baldaia, antigo diretor do DN e da TSF, de que “a constante exposição do Presidente da República, os sucessivos comentários, e a popularidade, foram aliás fatores decisivos para que Marcelo estivesse em condições de, no verão de 2017, face aos trágicos incêndios que assolaram o país, vir a público exigir consequências políticas e medidas para prevenir situações futuras”.

“O facto de o Presidente ter ido aos locais da tragédia confortar as populações foi, mais do que um gesto simbólico, um sinal para o país e para a classe política da assunção de responsabilidades e garantia de que estaria atento ao que iria mudar para que situações idênticas não se repetissem”.

Paulo Baldaia, mesmo admitindo que tinha “um preconceito contra o político-celebridade, pelo estilo e pela forma”, acabaria por reconhecer que “ultrapassou esse preconceito e vê no chefe de Estado alguém com capacidades únicas para liderar fazendo uso da sua celebridade”, escreve ainda Sandra Sá Couto.

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