Maré verde nos mercados europeus. Bolsa de Lisboa fecha em contraciclo

Ao contrário do que aconteceu em França, com as empresas de retalho alimentar, em Portugal, a Jerónimo Martins e a Sonae SGPS, ambas expostas ao retalho, penalizaram o índice nacional com a nota de que os trabalhadores irão fazer greve na véspera de Natal”, refere a análise da Mtrader.

Kai Pfaffenbach/Reuters

A queda das ações dos CTT (-3,93% para 3,178 euros); da Jerónimo Martins (-3,88% para 10,170 euros); da Sonae (-2,08% para 0,802 euros); da Pharol (-1,00% para 0,178 euros) e do BCP (-0,08% para 0,2405 euros) arrastaram a Bolsa de Lisboa para terreno negativo em contraciclo com as principais praças da Europa.

A Pharol informou o mercado sobre o comunicado divulgado pela Oi dando conta da prorrogação do prazo para exercício do direito de preferência no aumento de capital de 4 mil milhões de reais (903,5 milhões de euros).

Nem as valorizações das ações da EDP (+1,90% para 3,114 euros) e da Mota Engil (+1,94% para 1,576  euros) salvaram o PSI 20 que fechou a perder 0,09% para 4.787 pontos.

“Em Portugal, Jerónimo Martins e Sonae SGPS, ambas expostas ao retalho, penalizaram o índice nacional com a nota de que os trabalhadores irão fazer greve na véspera de Natal”, refere a análise da Mtrader de fecho dos mercados.

A queda das ações da Jerónimo Martins contrasta com as valorizações dos títulos da Carrefour (+1,26%) e da Casino Guichard (+2,14%) depois das notícias políticas vindas de França. Isto é, depois do presidente Macron ter anunciado um pacote de medidas com vista a acalmar os protestos dos “coletes amarelos”, que vão desde o aumento do salário mínimo (+100 euros) até à eliminação de sobretaxa de reforma. A Carrefour e a Casino Guichard, que têm sido penalizadas pelos protestos, respiraram de alívio.

Ainda no Retalho, a cadeia espanhola o DIA tombou 19,02% depois de o El Confidencial escrever que a empresa e o seu maior acionista já fizeram saber aos bancos que não terão capacidade para o reembolso de 1,8 mil milhões de euros de dívida.

“Além disso, a retalhista vai abandonar o índice de referência espanhol IBEX, dando lugar à Ence, comparável da Altri”, escreveu hoje o analista da Mtrader, Ramiro Loureiro.

“O ambiente de recuperação de ontem em Wall Street fez animar os investidores, com as notas de que os EUA e a China têm mantido conversações mesmo após as tensões geradas pela detenção da CFO da Huawei”, salienta ainda o analista como motivo para o optimismo que se viveu nas bolsas europeias.

Os setores mais sensíveis a estas questões comerciais acabaram por liderar os ganhos europeus. Pelo que “o setor automóvel recebeu boas notícias, com os sinais de que a China pode mesmo reduzir as tarifas às importações de veículos vindos dos EUA. BMW e Daimler são dos mais beneficiados, já que são detentores de 6 dos 10 veículos importados dos EUA mais vendidos na China”, diz o analista do grupo BCP.

O FTSE 100, de Londres, apesar de ter o Brexit encalhado, valorizou 1,66% para 6.833 pontos; o EuroStoxx 5o subiu 1,64% para 3.066,41 pontos. Em Paris o CAC ganhou 1,71% para 4.823,4 pontos, já o Dax alemão subiu 1,81% para 10.814,2 pontos.

Milão viu o seu índice subir 1,38% para 18.646,2 pontos e o IBEX de Madrid valorizou 1,18% para 8.762,4 pontos.

No mercado de petróleo, o Brent, referência na Europa sobe 0,60% para 60,33 dólares; e o crude WTI ganha 1,33% para 51,68 dólares.

O mercado de dívida na Europa está a melhorar, com os juros de Portugal a caírem 2,8 pontos base para 1,757%, ao passo que Espanha vê os juros descerem 0,6 pontos base para 1,437%. Itália é a excepção porque viu os juros agravarem 1,6 pontos base para 3,122%. A dívida alemã, benchmark da dívida soberana, cai 1,4 pontos base para 0,232%.

 

O euro cai 0,4% para 1,1311 dólares.

 

 

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