Maria João Carioca a caminho da nova gestão da Caixa

Presidente da bolsa portuguesa junta-se à equipa de Paulo Macedo no banco público. Gestora aceitou convite para regressar à CGD.

A presidente da NYSE Euronext Lisboa, Maria João Carioca, está a caminho da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), apurou o Jornal Económico. O regresso da gestora ao banco público, onde fez parte da anterior administração de José de Matos, surge depois do convite de Paulo Macedo para integrar a sua equipa no início desta semana.

Com a solicitação de uma resposta célere, Maria João Carioca já deu o ‘sim’ ao convite do ex-ministro da Saúde, revelou ao Jornal Económico uma fonte próxima ao processo de definição no novo conselho de administração da Caixa, após a demissão de António Domingues e a renúncia apresentada por seis administradores.

Maria João Carioca assumiu a liderança da NYSE Euronext Lisboa a 1 de junho, substituindo no cargo Luís Laginha de Sousa. Na altura, Maria João Carioca estava de saída da comissão executiva da CGD, então liderada por José de Matos. Num comunicado divulgado nessa data, a empresa que gere a bolsa portuguesa sublinhou a vasta experiência de Maria João Carioca no setor financeiro europeu, onde superou “exigentes desafios de negócios com elevado desempenho operacional, o que faz dela a pessoa mais relevante para liderar as operações da Euronext em Portugal”.

Licenciada em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, Maria João Carioca é uma das duas mulheres que Paulo Macedo pretende integrar na administração. Esmeralda Dourado, antiga presidente do Interbanco e atual administradora não executiva da SAG – que chegou a ser convidada para a presidência executiva da CGD antes de Domingues e recusou – já desmentiu a inclusão do seu nome na equipa de administradores não executivos.

Fonte governamental garantiu ao Jornal Económico que a nova administração da CGD “terá de certeza algumas mulheres, até porque o BCE exige uma participação de 30% a partir de 2018”.

Sobre o convite endereçado a Maria João Carioca, fonte oficial da NYSE Euronext Lisboa disse que “não há comentários a fazer”. A empresa que gere a bolsa nacional terá agora de encontrar um novo presidente.

Estado não convoca AG
O Estado, enquanto acionista único, pode a qualquer momento dar posse à nova administração, sem necessidade de assembleia-geral (AG). O objetivo é o de acelerar o processo de nomeação, depois de fechada a equipa de Macedo. O Jornal Económico sabe que, contrariamente à nomeação de António Domingues, não será convocada uma AG.

O governo oficializou a 2 de dezembro a escolha de Paulo Macedo para novo CEO e a nomeação de Rui Vilar para “chairman”, depois da demissão de António Domingues na sequência da polémica em torno das declarações de rendimento. O ministério das Finanças adiantou, então, que estava a “trabalhar na definição da composição do restante conselho de administração” em conjunto com o ex-ministro da Saúde e o atual presidente do Conselho Consultivo das Fundações. A equipa deverá ficar fechada nos próximos dias.

O facto de Macedo ter sido vice-presidente do BCP pode ajudar a acelerar o processo de autorização do seu nome por parte BCE, que terá ainda de validar a restante equipa, após seis administradores (três executivos e três não executivos) terem renunciado à administração da CGD.

Outros nomes da nova equipa
José João Guilherme, ex-quadro do Millennium bcp, está igualmente a caminho da equipa executiva de Paulo Macedo, com quem já trabalhou no banco liderado por Nuno Amado e, segundo fontes próximas ao ex-ministro da Saúde, terá criado uma “boa relação” com o novo CEO da Caixa.

Fontes do setor sinalizam que, além de José João Guilherme, terão sido encontradas soluções internas para a administração executiva, como é o caso de Stephan Morais, administrador da Caixa Capital, e Paulo Henriques, administrador do Caixa BI, segundo avançou o “Dinheiro Vivo”.

Da equipa de António Domingues, ficaram na CGD três administradores (Tiago Ravara Marques e João Martins, que vieram do BPI, e Pedro Leitão, ex-PT) que já se ofereceram para ficar, caso a gestão o entenda.

Recomendadas

“Falar Direito”. “Renegociação? Medida deveria abranger outro tipo de créditos mais onerosos”

Na última edição do programa da plataforma multimédia JE TV, advogado Francisco Barona, sócio do departamento financeiro e governance da Sérvulo, considerou que o diploma referente à renegociação do crédito à habitação deveria ser mais abrangente, tendo em conta a contração de outros créditos mais onerosos.

Juro médio dos novos depósitos de particulares dispara em outubro para máximo de cinco anos

Segundo os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), “em outubro o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4.726 milhões de euros, remunerados a uma taxa de juro média de 0,24%”.

PremiumBanca antevê dificuldades em identificar todos os clientes em 45 dias

Os bancos têm 45 dias para verificar se têm clientes do crédito à habitação que qualifiquem para efeitos da aplicação do diploma do Governo, mas o apuramento dos rendimentos reais é um obstáculo.
Comentários