Marinho e Pinto: “Os privilégios das elites políticas europeias são uma das causas do crescimento dos populismos”

Depois de superar “um período inicial de alguma desilusão com as limitações às competências do Parlamento Europeu, António Marinho e Pinto decidiu adaptar-se e “fazer o melhor” que consegue. Apesar do trabalho intenso, contudo, mantém a opinião de que os salários dos eurodeputados são demasiado avultados.

“O Governo português pede dinheiro à União Europeia para colmatar o atraso das regiões do interior. Quando eles mandam o dinheiro para desenvolver essas regiões, o Governo utiliza esse dinheiro a comprar votos nos grandes centros urbanos do litoral.”

O segundo eurodeputado português melhor classificado no MEP Ranking diz que não se limita a “cumprir agendas”, mas procura criar as suas próprias agendas políticas e parlamentares. Depois de superar “um período inicial de alguma desilusão com as limitações às competências do Parlamento Europeu, António Marinho e Pinto decidiu adaptar-se e “fazer o melhor” que consegue. Apesar do trabalho intenso, contudo, mantém a opinião de que os salários dos eurodeputados são demasiado avultados.

De acordo com os dados compilados no MEP Ranking, é um dos eurodeputados portugueses mais produtivos e assíduos. Aliás, está na 70ª posição do “ranking” global, entre 745 eurodeputados. Como é que explica o elevado desempenho?
Eu vim para o Parlamento Europeu para trabalhar. Pagam-me bem, muito bem, para isso, portanto faço o que entendo dever ser o meu trabalho. Não me limito a cumprir agendas, mas procuro criar as minhas próprias agendas políticas e parlamentares. Depois de um período inicial de alguma desilusão com as limitações às competências do Parlamento Europeu, decidi adaptar-me e, dentro dessas limitações, procurar fazer o melhor que posso.

O algoritmo do MEP Ranking analisa os dados de acordo com critérios quantitativos e qualitativos. Considera que é legítimo inferir a partir dessa análise se um eurodeputado é melhor ou pior e avaliar o desempenho? Ou considera que essa avaliação deveria basear-se noutros critérios e quais?
O cargo de eurodeputado resulta de um contrato político entre o candidato e os eleitores que votaram nele. Um eurodeputado representa, portanto, uma universalidade de pessoas que não sabe quem são em concreto. Por isso, qualquer critério de avaliação do seu trabalho é legítimo desde que seja objetivo e não manipulado, pois ajudará os eleitores a fazerem a verdadeira avaliação a que um deputado deverá estar sujeito. Os critérios do MEP Ranking não são os únicos, haverá outros de certeza tão ou mais válidos do que esses. A questão é que as entidades que procedem a essa avaliação sejam independentes e que os critérios adotados não sejam manipulados para favorecer estes ou aqueles eurodeputados.

O seu elevado desempenho no Parlamento Europeu tem sido reconhecido e será futuramente recompensado pelos eleitores?
Não. Nem o meu desempenho nem os de outros eurodeputados. Infelizmente, em matéria política, como em outras em geral, a comunicação social em Portugal está mais disponível para a propaganda do que para a informação. Está mais aberta às opiniões do que aos factos. Está mais interessada em ouvir a versão dos agentes políticos do que em investigar ela própria os acontecimentos. No meu caso pessoal, a situação ainda é mais gravosa porque sou ostensivamente discriminado por parte de alguns órgãos de informação. Sou o único dos 21 eurodeputados portugueses que está impedido de participar nos debates organizados pela RTP entre os eurodeputados. A RTP enquanto estação pública deveria explicar ao país por que discrimina um deputado no qual votaram mais de 230 mil eleitores. O mesmo acontece, aliás, com as estações privadas, mas o que é verdadeiramente escandaloso é que um órgão de informação sujeito a rigorosos critérios de serviço público se permita fazer tão ostensivamente discriminação política na sua programação informativa.

Mantém a opinião de que as remunerações dos eurodeputados são demasiado avultadas?
Sim, claro. Um eurodeputado acaba por auferir cerca de 20 mil euros mensais, o que é manifestamente exagerado. Isso tem consequências nocivas, pois faz com que os lugares de eurodeputados sejam mais procurados por quem está mais interessado na remuneração do que no trabalho parlamentar. Ou oferecidos como recompensa política. E este é um dos males do sistema político português, pois favorece o alastramento das fidelidades interesseiras, a ascensão dos “yes-men” e o clientelismo político-partidário. Mas conduz também ao afastamento entre eleitores e eleitos. Como é que, numa democracia representativa, os eleitores poderão identificar-se politicamente com os seus representantes num parlamento se estes para os representarem auferem remunerações dezenas de vezes superiores às dos representados? Em democracia deve haver proporcionalidade e moderação em tudo o que se refere aos representantes políticos, sobretudo em relação ao seu estatuto remuneratório. O que vai além do necessário transforma-se em privilégio. E isto acaba por ser prejudicial para a própria democracia. Os privilégios das elites políticas europeias são uma das causas do crescimento dos populismos de direita dentro da União Europeia.

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