“Marinho e Pinto ligou-me a dar os parabéns”

Guilherme Figueiredo promete “limpar a casa” na Ordem dos Advogados, após derrotar a atual bastonária Elina Fraga.

Cristina Bernardo

Guilherme Figueiredo é o novo bastonário da Ordem dos Advogados (OA) e promete, em declarações ao Jornal Económico, “limpar a casa” que Elina Fraga vai deixar em janeiro. Entre as suas prioridades estão a autonomia financeira da associação e os jovens advogados.

Na sua perspetiva, todos aqueles que conhecem o exercício da profissão devem colaborar entre si. Nesse sentido, o número um da OA vai reunir-se trimestralmente com aqueles que anteriormente tiveram a sua pasta. Questionado sobre a ligação com os ex-bastonários, Guilherme Figueiredo explica que a boa relação se pode confirmar pelos que o apoiaram. Além disso, o antigo bastonário Marinho e Pinto, que apoiou Elina Fraga e de quem Figueiredo foi opositor, fez questão de lhe telefonar.
“Ligou-me a dar os parabéns”, disse Guilherme Figueiredo, que teve o apoio de elementos da antiga equipa de Marinho e Pinto, na sua candidatura.

Com um percurso que inclui uma ligação à arte e à cultura, o advogado do Porto que substitui Elina Fraga na liderança da Ordem dos Advogados não quer deixar de parte a vertente cultural. Ainda que não faça parte das prioridades de atuação, Guilherme Figueiredo vai criar uma ação nacional ligada à arte. “É importante para os colegas que têm propensão para o ramo”, diz ao Jornal Económico.

Da iniciativa consta a publicação de uma revista de literatura e fotografia, mas a abrangência do programa “vai depender dos patrocínios” que conseguir. O autor da obra poética “Porque Hoje É Domingo!” confessa que não vai ter tempo para participar nos colóquios e atividades culturais no qual sempre esteve inserido, mas continuará a ser um “cidadão atento ao tema”.
O recém-eleito bastonário entra para a história das eleições da OA, mas não pela preocupação estética. Guilherme Figueiredo ‘inaugurou’ o novo sistema que obriga a um segundo escrutínio caso não haja maioria absoluta. Em relação à campanha, considera que houve um “combate desigual”.

Em janeiro, depois de dar posse aos membros eleitos, vai reunir-se com os conselhos regionais, em primeiro lugar. Guilherme Figueiredo mostra vontade em “criar pontes” e em que haja “solidariedade nacional e integração desses conselhos nas decisões”.

As prioridades são internas e externas: “Primeiro, temos de ‘limpar a casa’. Vamos fazer uma avaliação nacional de tudo o que tem a ver com recursos: humanos, materiais, financeiros… A partir do zero, contrataremos uma entidade externa para fazer uma auditoria e avaliar as contas”, explica. A nível externo pretende melhorar a relação com Francisca Van Dunem, com o Tribunal Constitucional, com a Procuradoria-Geral da República, e com as demais instituições intervenientes no sistema de Justiça.

O novo bastonário quer atingir a autossuficiência da associação “o mais depressa possível” e realça que todas estas metas a que propõe são para colocar em prática já a partir do primeiro ano em funções.
Até ao dia 18 de novembro não confiava a 100% na vitória apesar de “tudo levar a crer que ganhava”: “Não foi fácil. A Ordem fez-nos ponderar se tínhamos capacidades”. A caminho da segunda ronda, ainda com a incumbente à frente na votação, já esperava este desfecho.

A lista H de Guilherme Figueiredo (H) recolheu 9862 votos, face aos 9193 obtidos pela da anterior bastonária (K). O resultado representa uma reviravolta face aos números da primeira ronda, quando Elina Fraga obteve 8.706 votos e Guilherme Figueiredo conseguiu 7.838.
No passado dia 6 de dezembro, o advogado portuense superou a incumbente e alcançou a retaliação tanto do mês anterior, como do ano de 2013, quando os dois se defrontaram nas eleições para o mesmo órgão.

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