Mário Centeno: Maior consolidação na banca é inevitável

O governador do Banco de Portugal disse, em entrevista à agência Reuters, que a recuperação do sistema bancário português “é notável” ao nível dos principais indicadores dos balanços.

Cristina Bernardo

Uma maior consolidação do sector bancário de Portugal é inevitável, disse Mário Centeno, membro do Banco Central Europeu e governador do Banco de Portugal, em declarações à agência Reuters esta quarta-feira. O antigo ministro das Finanças apelidou de “notável” o recente progresso que os bancos portugueses fizeram no fortalecimento do capital e na redução do risco.

Segundo a agência, os analistas têm dito que os bancos portugueses devem apostar em operações de fusões e aquisições (M&A) para obterem melhores condições de competitividade, apesar dos cinco maiores players deterem 80% a 85% dos ativos bancários.

Centeno disse à Reuters que o sistema fez “progressos notáveis” nos últimos anos, à medida que os bancos fortaleceram os seus capitais e melhoraram os perfis de risco, enquanto os créditos malparados (NPL) caíram para níveis praticamente em linha com a média europeia.

“Depois deste reforço, a consolidação do sistema bancário (em Portugal) e o fortalecimento das suas instituições é absolutamente crucial e é inevitável que o sistema, o mercado, enfrente isso”, disse Mário Centeno. Embora a pandemia e a atual crise tenham adiado este processo, “vamos fazê-lo, como sempre, com muita tranquilidade”, acrescentou.

Os bancos nacionais ainda estão marcados por uma crise de dívida e um aumento dos NPL após a recessão de 2010-13, considera a Reuters. Desde então, reduziram os NPL para um total de 11,4 mil milhões de euros – dados a junho de 2022 – de um pico de 50 mil milhões em junho de 2016, de acordo com os dados mais recentes do Banco de Portugal.

O rácio de NPL dos bancos portugueses foi de 3,4% do crédito total em junho, contra 17,9% em meados de 2016.

“Embora esteja muito satisfeito com a evolução… não adianta descansar, temos de nos desafiar”, disse Centeno. “É importante que este amadurecimento aconteça com um reforço contínuo da dimensão das instituições, na sua capitalização e principalmente na sua capacidade de resposta aos desafios da digitalização, da ação climática, porque tudo isso passa pelos balanços dos bancos”, disse.

 

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