Mário Centeno: “Não podemos correr o risco de uma segunda onda da crise quando recuperarmos”

O presidente do Eurogrupo defendeu, em entrevista à “Bloomberg”, um Fundo de Recuperação com maturidades longas.

Cristina Bernardo

O presidente do Eurogrupo realçou esta sexta-feira, em entrevista à “Bloomberg”, a necessidade uma abordagem comum entre os países da zona euro para enfrentam a crise causada pelo novo coronavírus, o que passa por um Fundo de Recuperação com maturidades longas.

“Fomos bastante rápidos, flexíveis e inovadores na resposta a esta emergência da crise. O fundo de resgate tem de seguir estas diretrizes”, afirmou Mário Centeno, em declarações à agência financeira. “Não podemos correr o risco de ter uma segunda onda da crise quando recuperarmos”, explicou.

O ministro das Finanças português refere que, para que isso seja possível, é preciso ter um Fundo de Recuperação com maturidades longas. “E deve ser adequado à situação. A acumulação de dívida exige que esse fundo seja capaz de espalhar o custo desta crise ao longo do tempo”, explicou. “Precisamos de uma abordagem comum por todos os países europeus”, reforçou.

Segundo Mário Centeno, o Fundo de Recuperação “deve ser considerável”. “Estamos a criar défices e gaps tanto no investimento como no rendimento por causa do desemprego e das más que chegam às empresas em termos de lucro. Portanto, precisamos de compensar todas essas perdas durante a recessão”, argumentou, em declarações à jornalista Nejra Cehic.

Os ministros das Finanças da zona euro voltam esta à tarde “à mesa” das negociações – por videoconferência – para discutir a resposta à crise pandémica, depois de a Comissão Europeia ter divulgado esta semana as previsões macroeconómicas para este ano. Bruxelas antecipa uma contração recorde de 7,7% no conjunto dos países da moeda única.

À parte esses dados, o Eurogrupo – que no início do mês passado chegou a acordo sobre um pacote de 540 mil milhões de euros – vai ainda debater as conclusões da 11.ª missão de vigilância pós-programa realizada pela Comissão Europeia e pelo BCE a Portugal, há três meses.

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