Mark Bourke desvaloriza impacto do regulamento do Governo sobre reestruturação de crédito

“Vamos operacionalizar o regulamento do Governo o mais depressa possível”, prometeu Mark Bourke. No entanto, frisou que “este regulamento é a formalização de uma prática que a banca devia já efetivamente ter”.

Na conferência de analistas, Mark Bourke, CEO, e Leigh Bartlett, CFO do Novobanco apresentaram as principais linhas da conta de resultados, do balanço e traçaram as metas para o futuro próximo.

O Novobanco reportou aos analistas que registou uma redução da exposição a crédito classificado em Stage 2 desde o início do ano até ao fim de setembro. Stage 2 é a classificação que os bancos atribuem aos créditos para as quais se observa uma degradação significativa do nível de risco.

A menor exposição a crédito Stage 2 é explicada essencialmente pelos devedores com moratória durante 2021, que foram classificados nesse estágio e depois evoluíram para Stage 1 (crédito performing, que não tem marcação de risco).

Em setembro de 2021, havia 17% de crédito classificado em Stage 2; em dezembro 18%; e em setembro de 2022 baixa para 15% da carteira.

O banco regista em Stage 3 um valor bruto de 1,6 mil milhões de euros com 54% de cobertura por imparidades para crédito.

Na fase das perguntas e respostas, o analista da JB Capital confrontou Mark Bourke com o novo regulamento do Governo que obriga a reestruturar os crédito à habitação dos clientes, que no conjunto (incluindo crédito ao consumo) ultrapassem a taxa de esforço (DTSI) de 36%, no caso de subida de cinco pontos percentuais da Euribor, ou 50% já sem novas subidas de Euribor. Na resposta o CEO começou por dizer que a lei era muito nova, e que o Novobanco estava já a analisar os efeitos de cada “trigger” em termos do rácio do serviço da dívida. “Vamos operacionalizar o regulamento do Governo o mais depressa possível”, prometeu Bourke. No entanto, frisou que “este regulamento é a formalização de uma prática que a banca devia já efetivamente ter”.

Sobre se o crédito reestruturado ao abrigo desse diploma vai continuar classificado em Stage 3 ou se passa para Stage 2, o CEO disse que ia trabalhar com as regras de IFRS9.

O administrador financeiro Leigh Bartlett, realçou que desde o início do ano até à data, o stock de Non-Performing Loans (malparado) caiu de 1,749 mil milhões para 1,605 mil milhões de euros, tendo beneficiado da recuperação bem sucedida de clientes que estavam em moratórias e dos contidos impactos macroeconómicos. Nos nove meses o banco soma 148 milhões de euros novas entradas de crédito em malparado, acrescido de 34 milhões de execuções de ativos (colaterais) por incumprimento de crédito. As curas e recuperações somaram 257 milhões. Na comparação anual o stock de malparado caiu 27% face a setembro de 2021.

Para a redução do rácio de malparado, que em setembro fixou-se em 5% do total da carteira, contribuiu ainda 22 milhões de euros que foram vendidos em portfólio e os 48 milhões que foram alvo de writeoffs.

As novas entradas líquidas em NPL no acumulado do ano (148 milhões, sendo 109 milhões de euros líquidos de imparidades) representa uma subida de 40 milhões face ao registado em setembro de 2021 (quando foi de 108 milhões). As novas entradas em malparado representam em setembro 0,6% do crédito performing.

O banco salienta que a “redução recente de NPL beneficiou da venda de carteiras, aumentando o capital e demonstrando adequação da cobertura de NPL por imparidades (77%)”.

O Novobanco registou um aumento da carteira de crédito performing, de 1,1 mil milhões para 24,2 mil milhões de euros. O crédito à habitação representa 33% da originação de novo crédito no acumulado do ano, com loan-to-value (percentagem de empréstimo face ao valor do imóvel) médio de 65% no período.

Mark Bourke prometeu ainda continuar a reforçar o capital do banco através dos lucros, mas admitiu fazer emissões de dívida MREL nos próximos três anos.

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