Mark Bourke prevê subir o rácio de capital do Novobanco em cerca de 1% só com os lucros deste ano

“O nosso plano é o Novobanco ser independente e competitivo”, disse o CEO. Sobre se a Lone Star estava a negociar já com potenciais compradores numa venda futura do Novobanco, Mark Bourke respondeu “absolutamente que não”.

O Presidente Executivo do Novobanco, Mark Bourke, deu uma entrevista hoje à Bloomberg TV, e nela disse que o banco não precisa de aumentar o capital porque “já é um construtor de capital”. Depois de seis trimestres consecutivos de lucros, o Novobanco reforça de forma orgânica o seu rácio de Common Equity Tier 1 que em junho deste ano estava em 11,8%. O CEO do banco disse hoje à Bloomberg que  prevê subir o rácio de capital do Novobanco “entre 80 e 100 pontos base” só com os lucros deste ano.

Mark Bourke lembrou que o banco reduziu o legado (do BES) para menos de 5%.

O CEO do Novobanco garantiu que o rácio de malparado (NPL) vai cair este ano para 5% do total da carteira. Recorde-se que em junho deste ano o rácio de créditos não produtivos (NPL) era de 5,4%, o que compara com 5,7% em dezembro de 2021 e com 7,3% em junho de 2021, com o rácio de cobertura em junho deste ano a ser de 73,0%, “em linha com a estratégia de de-risking e aproximando-se do rácio médio dos peers europeus”, segundo reportou o banco.

Marke Bourke revelou à Bloomberg TV que conta reduzir o rácio de crédito malparado para entre 3% e 4% num prazo de três anos. Esta redução será uma combinação de “reestruturações individuais” e venda de portfólios de ativos não produtivos.

Apesar do actual contexto económico de inflação elevada, de subida dos juros, de crise energética, o CEO do Novobanco não vê que esteja em formação um aumento nos NPLs (Non-Performing Loans), vulgarmente conhecido como malparado. Mark Bourke disse mesmo que essa é a opinião geral dos bancos em Portugal.

O CEO do Novobanco lembrou que a subida das taxas de juros melhora a margem financeira dos bancos e por isso “haverá um sistema bancário mais rentável, ainda que tenhamos de constituir mais provisões”, admitiu.

“Os bancos foram fustigados pelo ambiente de taxas de juro muito baixas o que levou a que tivessem de fazer melhorias no rácio de eficiência, apostando na digitalização, e que tivessem de melhorar o modelo de sustentabilidade”. Mark Bourke não dúvida que com a “normalização das taxas de juro” o balanço do Novobanco ficará “em boa forma”.

O presidente executivo do banco detido em 75% pela Lone Star admitiu que na Europa há um potencial de consolidação bancária em países onde “há bancos a mais” e lembrou o caso da Irlanda, seu país de origem, onde a fusão entre bancos está agora a acontecer. Mas, disse, “Portugal tem bancos pesados, no entanto, é um mercado provavelmente mais concentrado que a maioria dos outros mercados europeus”.

“O nosso plano é o Novobanco ser independente e competitivo”, disse o CEO. Sobre se a Lone Star estava a negociar já com potenciais compradores numa venda futura do Novobanco, Mark Bourke respondeu “absolutamente que não”.

Questionado pela Bloomberg TV sobre se o banco estava à venda ou se pelo contrário admitia analisar alvos para crescer por aquisições, Bourke foi vago dizendo apenas que o Novobanco “tem um negócio de sucesso” e por isso “o que acontecer, acontece”, quer seja “receber e analisar propostas de interessados ou avaliar oportunidades para o negócio crescer”.

“No nosso ponto de vista, o importante é ser independente, rentável, e competitivo, pois só assim teremos o destino nas nossas mãos”, afirmou o CEO do Novobanco.

Mark Bourke disse que o banco se estava a preparar para lidar com o que vier a acontecer.

O Novobanco é agora um puro banco de retalho e banco de empresas, e “em Portugal ser um banco de empresas, significa ser um banco de PME”, disse Bourke que lembrou que a instituição tem “expertise” e “tem história” em banca de empresas.

“Reconstruímos completamente a rede de distribuição para competir num ambiente de baixas taxas de juro”, e agora que o ciclo das taxas de juro inverteu “o balanço do banco vai ser mais forte”.

O CEO do Novobanco foi perentório ao dizer “temos claro o que queremos que o banco seja, e o queremos que não seja. É um banco simples banco de retalho e de empresas como existem muitos em outras jurisdições”.

 

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