Marques Mendes: “Banco de Portugal devia ter feito pedagogia a favor da taxa fixa do crédito à habitação” (com áudio)

No seu espaço de comentário na SIC, o antigo líder do PSD sublinhou que “temos uma baixa literacia financeira” no país, pelo que as instituições têm de ajudar. Temos de aprender com esta lição, depois de resolver este pesadelo”. Os bancos também têm culpa no cartório, acrescenta.

Luís Marques Mendes disse este domingo que o Banco de Portugal, enquanto regulador “devia ter feito pedagogia a favor da taxa fixa do crédito à habitação” para não termos chegado ao ponto em que a maioria dos portugueses têm uma taxa variável e está agora à mercê dos mercados e dos bancos centrais.

“A crítica tem de ser feita ao Banco de Portugal, o regulador devia ter feito pedagogia, alertado mais”. Mas, para termos chegado a esta situação, ajudaram também os bancos, com exceção do BPI, ressalvou, que fez campanhas publicas neste sentido.

No seu espaço de comentário na SIC, o antigo líder do PSD sublinhou que “temos uma baixa literacia financeira” no país, pelo que as instituições têm de ajudar. Temos de aprender com esta lição, depois de resolver este pesadelo”.

Sobre as medidas anunciadas pelo Governo esta semana, o social democrata disse que é importante que o governo tenha tomado uma decisão e que é um passo na direção certa, mas que, “face ao aumento do custo de vida até agora e àquele que se avizinha, tenho muitas dúvidas que será suficiente”. “Os bancos devem levar em conta e com sensibilidade a questão para ajudar a vida das pessoas”, acrescentou.

Para demonstrar o “pesadelo” a que se referia para as pessoas, Marques Mendes refere que, tendo por base um crédito médio de 125 mil euros, com prestação inicial de 385 euros em janeiro de 2022, em novembro a prestação já tem um aumento de 41%, e em janeiro próximo estima-se que terá um aumento de 51%, que passará em julho de 2023 para 63%. “São valores assustadores”, lamenta.

Já para mostrar o “pesadelo” a  que se referia quanto à maioria de taxa variável em Portugal, o social democrata cita dados do BCE. “A tendência maioritária da Zona Euro é para contratos de crédito à habitação com taxa fixa. A média da Zona Euro é de apenas 23% de contratos com taxa variável. Em Portugal, este valor é de 68,9%. E a maioria dos países da Zona Euro, 11 em 19 — a Grécia não tem dados atualizados —, privilegia os contratos com taxa fixa. Portugal está em contraciclo” e corre, assim, mais riscos. As pessoas deviam ter sido avisadas para evitar esta realidade, insiste.

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