Marques Mendes: “Centeno quando sair do Eurogrupo não volta a integrar um Governo”

O comentador aposta que Mário Centeno em 2019 será ou Governador do Banco de Portugal, ou terá um cargo internacional. Já sobre Vieira da Silva que irá esta segunda-feira ao Parlamento dar explicações sobre o caso da Raríssimas, Marques Mendes diz saber que não vai sair do Governo.

Luís Marques Mendes no seu comentário na SIC começou por fazer o balanço de seis meses de Pedrógão Grande (17 de Junho), abordando o que há de positivo e de negativo.

Como aspectos positivos destaca a grande manifestação de solidariedade no país; depois a constituição da associação que representa as vítimas; as reformas da florestal e da Protecção Civil e o esforço de reconstrução das habitações. A Unidade de Missão para a Valorização do Interior diz que 40% das habitações foram reconstruídas. “Mais seis meses e estará tudo reconstruído”, disse acrescentando “Vai num ritmo acelerado”.

Mas nem tudo são rosas. Também há aspectos negativos. Marques Mendes destaca o atraso no pagamento das indemnizações. “Na Galiza, em relação às vítimas dos incêndios de outubro, já foram pagas as indemnizações. Já em Portugal, seis meses depois, ainda não foram pagas. Estão a começar agora a pagar”, diz. O apuramento de responsabilidades criminais tarda em surgir, é outro aspecto negativo. Responsabilidades criminais estão a avançar “é minha convicção que o Ministério Público vai acusar o Estado e outras entidades de homicídio por negligência”, disse o comentador. “As responsabilidades políticas tardaram a ser assumidas e ainda não o foram por completo”, adianta.

Por fim o outro aspecto negativo para Marques Mendes é Portugal ser um país de contrastes. “Temos em Portugal dois países: o país moderno, sofisticado, que rejubila, digital, com a Web Summit e Mário Centeno na presidência do Eurogrupo; e depois temos o país do interior, rural, envelhecido, esquecido e abandonado que tarda em ser valorizado”, disse.

Como não podia deixar de ser comentou o caso mediático da Associação Raríssimas. Marques Mendes deixou um apelo aos mecenas, e outros financiadores da instituição “se são apoiantes da Raríssimas, da solidariedade social, se querem cumprir esse dever social, este é o momento para apoiar, não para desertar. Deixar de apoiar a instituição é criminoso”,  disse citando Maria Cavaco Silva “uma coisa são as pessoas e outra são instituições”.

“Esta Associação é uma obra exemplar”, diz.

Este caso transformou-se num caso de polícia. Porquê? “Primeiro, pela perpetuação no poder. Paula Brito e Costa está há muitos anos (quinze) no poder e longos mandatos fazem com que os dirigentes e fundadores de instituições se sintam seus donos. Deslumbram-se. Sou adepto a limitar todos os mandatos (6 a 8 anos no máximo)”, explicou.

“Finalmente a conivência com os poderes políticos. A Segurança Social, ao contrário do que se diz, costuma ser muito exigente com as IPSS. Neste caso não foi. Fica a sensação de ter falhado por omissão. Se não fosse essa convivência com o poder político, a fiscalização provavelmente já tinha actuado”

A outra questão comentada foi o comportamento do Ministro Vieira da Silva que amanhã vai ser ouvido no Parlamento. “Com este caso ficou fragilizado e chamuscado. Agora é uma pessoa séria e um Ministro muito competente e dos melhores deste Governo, e também não cometeu crime nenhum, mas tem uma falha: a inspecção que mandou fazer agora devia-ter mandado fazer antes do Verão”, disse o comentador. Sobretudo num caso em que “o ministro já foi dos órgãos dirigentes da instituição”, disse, acrescentado “não interessa agora justificar-se com a inexistência de denúncias de gestão danosa”.  Já antes do Verão estava ao corrente de problemas e acusações de irregularidades na Raríssimas – umas declaradas pela Presidente, outras feitas por denúncia. A até porque a sua mulher estava ligada à instituição. O Ministro, neste caso, tinha de ser especialmente diligente, defende. Mas Marques Mendes na sua análise diz que o ministro Vieira da Silva não se demitirá nem será demitido, não sai do Governo.

Sobre a fiscalização defendeu que Portugal precisa de um Estado forte. Um Estado forte não é um Estado autoritário. É, sobretudo, um estado que regula e fiscaliza. E, nesta área, uma falha de fiscalização do Estado pode ter consequências sérias na credibilidade do sector social.

O PS continua em alta nas sondagens e Marques Mendes diz que “este é um Governo que ganha na economia e perde na política”. Boas notícias na economia, e deu o exemplo da Fitch que subiu o rating da República em dois níveis, e isto é uma boa notícia para o país em termos de investimento, porque os juros descem.

Já na política, praticamente todas as semanas há um caso político na vida do Governo. Foram os Incêndios, Tancos, Legionella, Infarmed, Panteão, tudo por causa da má gestão pública. Seja por culpa própria, seja por omissão, a verdade é que a gestão política do Governo tem sido caótica.

A pergunta é: Com tantas falhas, aselhices, e azares, por que é que o PS continua em alta nas sondagens? “É fácil de explicar: primeiro, porque a economia é o que mais conta para a vida das pessoas. As pessoas votam sobretudo com o bolso, com a algibeira, com a carteira. Se a economia cresce, o desemprego baixa e o poder de compra aumenta, é difícil um Governo ser penalizado.
Segundo porque não há oposição, não há alternativa. Até pode vir a ser no futuro, mas hoje a oposição não é credível nem levada a sério”.

“Se o Governo não tivesse as falhas que tem tido, o PS não estaria hoje nos 40% em termos de intenção de voto. Estaria, sim, nos 43% ou 44%. Ou seja, na maioria absoluta”, diz.

“Carlos César, deu uma entrevista muito curiosa ao Público e à Renascença”, lembrou o comentador que diz que Carlos César é muito ligado ao primeiro-ministro e diz muitas vezes o que António Costa quer dizer mas não pode dizer. “Carlos César começa por traçar a meta da maioria absoluta. Depois fala abertamente do tema remodelação e tem uma tirada curiosa: diz que as remodelações se fazem normalmente na Primavera, tempo da esperança. Ao dizer isto é um sinal de que vamos ter uma remodelação do Governo lá para Março ou Abril?”, questiona.

Terceiro, diz,”a questão no número 2 do Governo. Confrontado com a questão de saber se o Governo tem ou não tem um número dois, Carlos César não contraria a ideia, confirma que não há número dois. Divaga e chuta para canto. Este é um sinal de que numa próxima remodelação governamental podemos ter Carlos César como o número 2 do Governo, o responsável pela coordenação política do Governo.”

Eleição do PSD

Marques Mendes, que é do PSD, diz que nesta altura já está definido o universo eleitoral, porque o período de pagar quotas já terminou, vai ser à volta de 55 mil militantes a votar o que compara com mais de 60 mil ou mais de 70 mil nas directas em 2007, 2008 e 2010.
Por que é que isto sucede? Provavelmente é um sinal de que a campanha realizada até aqui não foi muito mobilizadora; ou é um sinal de que há uma certa descrença em relação ao futuro do PSD.

Marques Mendes aproveitou para fazer o balanço do ano de 2017. Na política escolheu como figura do ano, Marcelo Rebelo de Sousa por considerar ser um presidente mais próximo das pessoas. “Uma legitimação popular diária, e usa essa legitimação para tomar decisões, e esteve nos incêndios a confortar as vítimas e a unir o país e puxar orelhas ao Governo”.
Como acontecimento do ano foram os incêndios florestais.

Na economia a figura do ano é Mário Centeno. Porque teve “um ano em cheio: a economia cresce, o défice baixa, os juros baixam, Portugal saiu do Procedimento por Défices Excessivos, as agências de rating subiram o rating da República, e foi nomeado do Presidente do Eurogrupo”. Mesmo que alguns problemas económicos ainda se mantenham, Centeno “ganhou um capital político brutal”. “Depois de 2019, quando sair do Eurogrupo o que vai Centeno fazer com este capital político?”, Marques Mendes lança a pergunta e deixa no ar algumas hipóteses possíveis: Vai para Governador do Banco de Portugal (mandato cessa por essa altura)? Vai ser Comissário Europeu ou outro cargo internacional?”.

”No próximo Governo depois de 2019 Centeno não participará de certeza absoluta”, revela.

O acontecimento do ano é o boom turístico. Aqui lembrou apenas um senão, ” a entrada dos turistas no aeroporto de Lisboa, agora voltam ao sistema de esperar duas ou três horas”.

Já no plano internacional, destacou como figura do ano Donald Trump, por “ser um elefante numa loja de porcelana”.

O acontecimento do ano escolheu as mudanças em Angola, “mudou o ciclo político”.

Na cultura destacou como figura do ano os irmãos Salvador Sobral e Luísa Sobral.

O acontecimento do ano a exposição de Almada Negreiros na Gulbenkian e agora no Porto e o outro acontecimento é a compra pelo Estado de seis quadros da Vieira da Silva por seis milhões de euros.

No desporto a figura do ano é Cristiano Ronaldo e o acontecimento do ano o “tetra do Benfica”, considera Marques Mendes.

Marques Mendes deixou por fim um cumprimento ao presidente do Montepio Geral que sai, José Félix Morgado, e diz que a escolha de Nuno Mota Pinto, que vem do Banco Mundial, para novo presidente do banco “é uma óptima escolha”.

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