Marques Mendes: Costa “enfraquece” Centeno em vésperas de Orçamento

Comentador político considera que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças estão em “rota de colisão”. Para Luís Marques Mendes “há um conflito de popularidade e de poder, acima de tudo”.

O comentador político Luís Marques Mendes disse este domingo, no espaço de opinião televisiva no ‘Jornal da Noite’ da SIC, considera que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças estão em rota de colisão, numa disputa que envolve “popularidade e poder”.

Luís Marques Mendes destacou as notícias de um alegado momento de tensão público entre António Costa e Mário Centeno sobre o orçamento da zona euro, classificando o episódio como “muito grave”. “A prova de que isto é grave são as declarações de hoje do Presidente da República a pôr água na fervura. Faz o seu papel, que é o papel de bombeiro porque percebe que isto é grave para o país. Se fosse Marcelo Rebelo de Sousa comentador diria que isto é gravíssimo”, disse.

“O primeiro-ministro e Mário Centeno estão em rota de colisão”, frisou o comentador político, realçando que “o primeiro-ministro quis que fosse público e sabe muito bem quais as consequências disto ser público”.

“Enfraquece o ministro das Finanças, enfraquece perante os seus colegas do governo e no parlamento, perante todas as bancadas. E com um requinte de malvadez: isto é feito antes de um debate do orçamento”, destacou, considerando que teve início praticamente a seguir ao momento em que Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo.

“Há um conflito de popularidade e de poder, acima de tudo. Mario Centeno é o ministro das Finanças que mais poder teve em Portugal. Transformou-se num caso, num caso de popularidade e de poder. O primeiro-ministro perde poder na relação com Mário Centeno, é o único ministro que não pode ser substituído. Se for substituído cá dentro, dá uma crise lá fora, porque é presidente do Eurogrupo”, acrescentou.

Para Marques Mendes, “aos olhos dos outros ministros, Mário Centeno tem mais poder do que António Costa”, considerando que “os louros das contas certas são para Mário Centeno, os problemas de investimento e serviço público são para quem? Para os outros ministros e primeiro-ministro”.

O comentador disse ainda que apesar de António Costa ter ganho as eleições “não está mais forte do que há quatro anos, está mais fraco, tem mais divisões internas do que tinha”.

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