Marques Mendes. Empresas precisam de um ministro “com mais sentido prático” do que Costa Silva (com áudio)

O comentador da SIC disse que o plano de apoio às empresas é “curto”, tem “truque” e está dominado pelo ministro das Finanças, Fernando Medina. Ou seja, António Costa Silva não é o ministro da Economia de que as empresas precisam.

Um programa “curto”, “com truque” e dominado pelo ministro das Finanças. A avaliação é do comentador Luís Marques Mendes e refere-se ao pacote de ajuda às empresas apresentado esta semana pelo ministro da Economia, António Costa Silva.

“É curto. É curto. Tem muito ministro das Finanças e pouco ministro da economia, ou seja falta equilíbrio”, disse Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário na SIC. Entre os pontos fracos do programa destacados pelo comentador estão o volume dos apoios. “É um plano curto, só 700 milhões de apoio a fundo perdido, o resto é crédito. Ou seja, também aqui há truque: não é dinheiro dado, é dinheiro emprestado”, disse Marques Mendes, sublinhando que este crédito surge num momento de juros cada vez mais altos.

E fez uma comparação com outros programas de ajuda. “Só na TAP o Estado mete cinco vezes mais”, disparou.

Nos pontos positivos do plano, Marques Mendes enumerou o reforço de apoio às empresas mais consumidoras de gás, os apoio na formação e o apoio às IPSS (instituições privadas de solidariedade social).

No cômputo geral, Marques Mendes diz que Costa Silva não é o ministro da Economia que as empresas precisam neste momento, até pelo desfasamento que tem face a essa realidade. “Era preciso um ministro da Economia com um sentido mais prático”.

Ainda assim, o comentador da SIC disse que o ministro da Economia está a trilhar um caminho positivo quando negoceia com o primeiro-ministro e com o ministro das Finanças, Fernando Medina, uma redução do imposto sobre as empresas, o IRC. “Se conseguir uma redução do IRC é um bom caminho, mesmo que seja gradual e equilibrado”, disse.

Sobre outra das polémicas recentes – o corte ou não das pensões em 2024 – Marques Mendes criticou a demagogia usada pelo governo nesta matéria.

“Deixemo-nos de demagogias: durante este ano e o próximo ano não há redução relativamente ao que estava previsto. A partir de 2024 não há corte no sentido literal. Ou seja, você não passa de uma pensão de 500 para 480 euros, mas há um corte face às expectativas, ao que todos pensavam que iam receber face à lei”, explicou. E porquê? “Porque a base de cálculo é mais baixa. E o primeiro-ministro acabou por o resumir, mas não desta forma direta”, frisou.

Para o comentador, os portugueses já “desconfiam dos argumentos do PM, porque fica a sensação que é uma desculpa de última hora”.

“Isto porque, nos últimos anos, sempre que alguém alertava para a sustentabilidade da Segurança Social, António Costa e o PS diziam que não havia problema e que a Lei Vieira da Silva resolveu isto”, disse. E recentemente, recordou Marques Mendes, António Costa foi confrontado com o problema em entrevista na CNN e reiterou que a lei das pensões seria cumprida.

“É isto que leva as pessoas a desconfiar”, concluiu.

Marques Mendes revelou ainda que uma sondagem a publicar na segunda-feira no Correio da Manhã e no Jornal de Negócios indica que 58% dos portugueses considera que a situação nas pensões vai piorar. “Se tivesse sido assumido o problema logo de início, agora Antonio Costa estaria melhor”, afirmou. Noutra parte da sondagem, Marques Mendes disse –sem especificar – que há uma “queda do partido do Governo muito acentuada”.

“As virtudes (reconhecidas) do PM estão a virar-se contra ele próprio. A habilidade política já não aparece como um elogio, mas com um sentido pejorativo, no sentido de ‘político habilidoso’”, disse Marques Mendes. A maioria absoluta do PS, concluiu, pode ter afastado ainda mais o PS da realidade e o desgaste neste momento “é bastante mais profundo” do que todos imaginamos.

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