Marques Mendes espera pacote de apoio às famílias “robusto e impactante” (com áudio)

Para o comentador da SIC, o plano é “urgente e absolutamente necessário” porque as famílias estão a viver um “pesadelo” face ao aumento do custo de vida e perda de rendimentos.

O antigo ministro Luís Marques Mendes disse este domingo que espera um pacote de apoio às famílias, a ser anunciado amanhã após Conselho de Ministros, “robusto e impactante”, mas abaixo dos dois mil milhões de euros.

Para o comentador da SIC, o plano é “urgente e absolutamente necessário” porque as famílias estão a viver um “pesadelo” face ao aumento do custo de vida e perda de rendimentos.

“A alimentação é um dos piores problemas”, diz, citando uma análise da Deco Proteste que dá conta que, um cabaz 63 alimentares, sofreu um aumento 12,4%, acima da inflação, que está nos 9%.

Depois, há a questão da habitação. Tendo por base um empréstimo de 125 mil euros a 30 anos, euribor a seis meses, com spread 1,25% — “de forma geral um empréstimo médio em Portugal”—, indica que, em janeiro, se pagava uma prestação mensal 383 euros, em setembro paga mais mais 83 euros (um aumento na ordem dos 22%).

Se os aumento dos salários estão na ordem dos 3%, as pessoas “estão a perder rendimentos… E muitos”, diz, citando dados do INE.

Marques Mendes refere que para as empresas o seu drama é a energia e sobretudo o gás natural, que aumentou 19 vezes em agosto face ao ano passado, diz, citando dados do INE. O comentador diz que há um apoio, que vai ser atualizado, mas pede que haja atenção às unidades fabris. “Porque há empresas que têm várias fábricas”, justifica.

Não obstante, as empresas ficarão de fora deste pacote e medidas, pelo menos durante uma semana ou duas, continua, por causa da articulação com Bruxelas. “E acho que faz sentido”, diz, de forma a ajustar as medidas comunitárias à especificidade nacional, mas lamenta que não tenha sido realizada uma reunião nesse campo mais cedo.

O social-democrata considera que há condições para pagar um pacote destes uma vez que as receitas fiscais estão 3,5 mil milhões acima do previsto. “Há condições para continuar a reduzir o défice e a dívida, que é a grande prioridade nacional e, ao mesmo tempo, aprovar um plano robusto, sólido, e impactante”, remata.

Em concreto, Marques Mendes destaca a “medida emblemática” que será o segundo aumento extraordinário da generalidade das pensões, que é importante, para além dos fatores já mencionados anteriormente, “porque os pensionistas não contribuem para aumentar a inflação”.

Quanto às rendas, o antigo ministro defende que “o ideal é uma solução de equilíbrio, que defenda os inquilinos e não os penalize senhorios”, até porque “muitos nem são abastados”.

Contudo, é um assunto delicado, aponta. “O INE aponta para aumento de referência de 5,43%. Na ultima década, não se ultrapassou 1%”, diz, qualificando a situação como “um drama para inquilinos”, que podem ser até um milhão de pessoas.

Exemplificando, uma renda de 500 euros, continua, com base neste aumento de referência teria um crescimento anual de 326 euros, num cenário em que tudo o resto também sobe.

“De certeza que o governo vai atuar, ou travando o aumento ou atuando nos efeitos”, diz, acrescentando que as opções em cima da mesa serão, ou à semelhança de Espanha introduzir uma norma travão para impedir crescimentos acima dos 2% no próximo ano, ou um apoio social direto aos inquilinos, sobretudo aos mais desfavorecidos.

“Pessoalmente prefiro a última, mas estou convencido que será introduzir travão porque o governo nestas matérias … tem-se alinhado muito pelas decisões de Espanha”, pelo menos a nível energético. Se assim for, tem de haver recompensa, designadamente via fiscal, para os senhorios. Não se pode matar o mercado de arrendamento, não é justo”, afirma.

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