Marques Mendes: “há quatro anos que não há oposição”

O comentador queixa-se de que não sabe qual será a orientação de Rui Rio em relação ao Orçamento do Estado para 2020. Quanto ao documento, acha-o carente de orientação: demasiado Centeno para tão pouco Costa.

“O Orçamento do Estado 2020 tem aspetos positivos e negativos, e tem a marca de Mário Centeno, mas não tem a marcda de António Costa”, disse Luís Marques Mendes, o comentador que marca as noites de domingo. O excedente das contas e o aumento da carga fiscal são, do lado positivo e do lado negativo, aquilo que marca o documento, disse.

“Rumo, orientação estratégica, uma causa”, faltam no OE2020, sendo essa a falta do primeiro-ministro. Nada consta ali, disse Marques Mendes que tenha uma estratégia. “Podia ser o orçamento do combate à exclusão, da natalidade, da coesão do interior, do apoio às empresas”, mas não é disso que ali se encontra. “É tudo tático”, afirmou.

Quanto à picardia entre Rui Rio e Mário Centeno, “não é feliz para nenhum dos lados: 99,9% dos portugueses não a percebem”, apesar de Marques Mendes se queixar da arrogância do ministro das Finanças. Por outro lado, “Rui Rio parece que está a hesitar, mas só parece”, disse, mas isso “prejudica o país”. Para Marques Mendes Rui Rio já se devia ter pronunciado sobre a sua intenção de voto.

Quanto ao PCP, Marques Mendes afirmou que não pode votar a favor do OE2020, dado que é um orçamento com excedente, “mas também não pode votar contra, vai abster-se”.

O comentador social-democrata acha, por outro lado, que o agravamento da carga fiscal só é possível “porque há quatro anos que não há oposição em Portugal” – o Governo não tem qualquer respeito ou temor por ela.

Por poutro lado, Marques Mendes tem cada vez menos dúvidas que Mário Centeno estará, a prazo, de saída – “eventualmente para o Banco de Portugal”. “Só tem vantagem em sair mais cedo que mais tarde, já para o ano em vez de 2021 – de qualquer modo, já entrou na história”, estando por isso na hora de sair, até porque “já não tem mais nada a ganhar”, num quadro em que a “sua relação com o primeiro-ministro” está a deteriorar-se.

Entretanto, Marques Mendes afirmou que a PPP do Hospital de Vila Franca de Xira é, se acabar, um contracenso: o Estado poupou 30 milhões nos últimos anos e vai agora acabar com ela. “Os autarcas, nomeadamente do PS, elogiaram o seu serviço”. O mesmo sucedeu em Braga, disse Marques Mendes. “E a oposição não diz nada?”, questionou.

Marques Mendes quis destacar as figuras do ano de 2019 – também votadas pelo público da SIC. Tolentino de Mendonça foi escolhido como a figura do ano – em segundo lugar ficou António Costa, antes de Elisa Ferreira. Quanto à figura internacional, foi Boris Johnson quem saiu vencedor. Jorge Jesus ganhou a votação para a figura desportiva do ano, antes de João Felix e Fernando Santos. Quanto ao acontecimento do ano, a SIC escolheu o caos na saúde e em segundo o protesto dos camionistas. O Brexit ganhou o acontecimento internacional do ano.

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