Marques Mendes não acredita na nomeação de Fernando Araújo para a pasta da Saúde

Em causa estão as críticas do médico ao Executivo. Quanto à demissão de Temido, o comentador da SIC diz que a antiga ministra “foi inteligente”, porque “saiu pelo seu pé, desgastada mas com dignidade”.

O antigo ministro Luís Marques Mendes referiu este domingo à noite que não acredita na nomeação de Fernando Araújo para a pasta da Saúde, na sequência da demissão de Marta Temido, apesar de achar que é a melhor solução para o cargo enquanto reformador. “Mas tem sido muito crítico do governo, e o primeiro-ministro não aprecia”, justifica.

O comentador da SIC diz que Costa “vai escolher ou reformador ou pacificador”. Para reformar, Marques Mendes elogia Araújo, atual presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário São João, como “gestor muito competente, com provas dadas e muito prestígio, e com pensamento estruturado sobre a matéria”.

Para o perfil de pacificador, o “candidato mais provável é ou o eurodeputado Manuel Pizarro — que não aceitou o cargo no passado— , ou o secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales. Dois médicos competentes com experiencia na área e com boas relações com os sectores profissionais, inclusive com os médicos”.

“Não excluo, com base no governo paritário, Costa escolher fora da caixa e nomear uma mulher”,  salvaguarda, sem apontar mais palpites.

Quanto à demissão de Temido, o comentador da SIC diz que a antiga ministra “foi inteligente” porque “percebeu que não tinha condições políticas para exercer este cargo difícil e delicado”. Contudo, salvaguarda, podia ter tomado a decisão há uns meses. “Desta forma saiu pelo seu pé, desgastada mas com dignidade, sem se agarrar ao seu lugar”, acrescenta.

Questionado sobre se Costa foi apanhado de surpresa, Marques Mendes diz que sim, mas que a decisão lhe vai ser benéfica — apesar de não desejada porque estava a regressar de férias e não queria nova polémica — porque está a perder popularidade nas sondagens. “Antes a culpa era dos ministros ou colaboradores. Este ano isso mudou porque também incide muito nele”.

O social democrata considera “surreal” o processo de substituição uma vez que a decisão, tomada de madrugada, denotava urgência. “Mas se é urgente leva duas semanas a fazer a substituiçã0? Não faz sentido, nem sequer a explicação” com base na comissão executiva porque não vai ser a antiga ministra a lidar com esse assunto, mas quem vier substituí-la.

Marques Mendes destaca que se retira deste episódio uma “lição importante”: “Esta ministra foi altamente popular ainda há pouco tempo, e agora cai. a popularidade ajuda, mas os resultados é que contam”, diz, citando Ricardo Costa, para o “Expresso”. “Os ministros que pensem nisto… E na saúde é preciso uma cultura de diálogo e um espírito reformista”, diz, insinuando que era algo que faltava a Temido.

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