Marques Mendes: “Vamos ficar com um défice claramente abaixo do que o Governo esperava”

O ex-ministro estima que o défice fique entre 1,2% a 1,4% e prevê também que a redução da dívida em percentagem do PIB seja superior.

O antigo ministro Luís Marques Mendes antecipa que o défice de Portugal fique entre 1,2% a 1,4% no final do ano, abaixo da previsão do Governo, e que a redução da dívida em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) nacional seja superior à esperada pelo Executivo de António Costa.

“Diria que vamos ficar, no final deste ano, com um défice claramente abaixo do que o que o Governo esperava [1,9%], entre 1,2% ou 1,4%. Acho que é bom, numa altura em que há grande turbulência nos mercados e na situação internacional. Um défice baixo dá-nos credibilidade e segurança. É bom para o país e para os portugueses”, disse o comentador da SIC.

No habitual espaço de comentário ao domingo, o advogado referiu que “vamos ter também uma redução da dívida em percentagem do PIB talvez maior do que a que o Governo esperava e ficar, provavelmente, abaixo de 120% da riqueza nacional e a aproximar-se bastante de Espanha e dos números que tínhamos antes da pandemia”. “É bom. Um dos maiores problemas que Portugal tem é uma dívida exagerada. Temos claramente nos afastar de países como Itália”, explicou.

Em causa está o facto de a receita fiscal ter subido a dois dígitos no primeiro semestre deste ano, comparativamente aos primeiros seis meses de 2021, sobretudo por causa da “recuperação do IVA (+26,9% em relação a 2021 e +15,2% face a 2019), bem como da receita contributiva (+9,7% comparando com 2021 e +16% em relação a 2019)”, segundo os dados divulgados na terça-feira pela Direção-Geral do Orçamento.

Confrontado com o facto de a receita fiscal do Estado ter aumentado 29,7% até junho para os 22.980,2 milhões de euros, Luís Marques Mendes admitiu que “estamos muito bem” ao nível da cobrança de impostos. “Não estamos a cobrar muitíssimo mais do que estava previsto. Estamos é a cobrar muitíssimo mais receita do que estava previsto”, ressalvou.

A declaração de Luís Marques Mendes deve-se ao aumento de 29,9% verificado na receita do IVA, à boleia da inflação, quando no Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) a percentagem de subida era de apenas 10,7% para o ano todo, bem como da receita do IRS, com uma diferença de 4,7% (previsão no OE2022) para 12,3% (acréscimo registado no primeiro semestre), na sequência “de um crescimento económico e do emprego superior”.

“A previsão do Governo era de ter um crescimento na receita fiscal global de 6,7% este ano. Neste momento, estamos com quase 30% de crescimento, 29,7% em concreto. Claro que é natural que haja algumas alterações e algum abrandamento, porque ainda estamos a meio do ano”, reconheceu.

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