Marta Temido demite-se “por não ter condições para se manter no cargo” (com áudio)

O primeiro-ministro, António Costa, aceitou o pedido de demissão da ministra da Saúde e já o comunicou a Marcelo Rebelo de Sousa. Marta Temido ocupava funções desde 2018 e liderou a pasta da Saúde durante a crise pandémica, num percurso marcado por tensões com a classe médica.

Marta Temido, ministra da Saúde | José Sena Goulão/Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou um pedido de demissão ao primeiro-ministro, António Costa, invocando que “deixou de ter condições para se manter no cargo”.

O chefe do Governo já aceitou o pedido de demissão de Marta Temido. Em comunicado, António Costa diz que “respeita a sua decisão e aceita o pedido”, que já comunicou ao Presidente da República.

O anúncio foi feito na madrugada desta terça-feira, numa altura em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a ser alvo de críticas por falta de capacidade de resposta. Recorde-se que Marta Temido foi criticada, recentemente, por ter dito que os problemas que têm afetado o SNS eram consequência de decisões tomadas na década de 80.

A ministra tinha à sua tutela dois secretários de Estado: António Lacerda Sales, que já faz parte do Executivo desde a Legislatura anterior e que era, até agora, adjunto de Marta Temido. Também Maria de Fátima Fonseca ocupa a Secretaria de Estado da Saúde, tendo no passado ocupado a mesma posição nas áreas da Administração e do Emprego Público e da Inovação e Modernização Administrativa.

Marta Temido ocupou a pasta da Saúde desde 2018, depois de suceder a Adalberto Campos Fernandes. Com um percurso vincado pela administração hospitalar, foi o rosto escolhido pelo Governo para a resposta à crise pandémica, mas a sua tutela foi marcada desde cedo por tensões com a comunidade médica e de enfermagem.

Na nota enviada pelo gabinete do primeiro-ministro, Costa agradece a Marta Temido o trabalho desenvolvido “muito em especial no período excecional do combate à pandemia de Covid-19”.

O Governo garante ainda que “prosseguirá as reformas em curso tendo em vista fortalecer o SNS e a melhoria dos cuidados de saúde prestados aos portugueses”.

O anúncio da demissão surge no mesmo dia em que foi noticiada a morte de uma utente grávida que terá ocorrido na terça-feira passada, após ter sido transportada do Hospital de Santa Maria para o Hospital São Francisco Xavier. Em causa estava uma falta de vagas no serviço de Neonatologia. A mulher de 34 anos queixava-se de dificuldades respiratórias e apresentava um quadro de tensão alta. Terá sofrido uma paragem cardio-respiratória durante o transporte, em que foi acompanhada por um médico e dois enfermeiros.

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) veio já convocar uma conferência de imprensa que se realiza esta terça-feira, pelas 09h30, e que contará com a presença dos diretores dos serviços de Obstetrícia e de Neonatologia.

Recomendadas

Eutanásia: “Matéria de elevada sensibilidade que não parece que deva ser referendável”, diz PAN

Inês de Sousa Real destacou que o projeto da Eutanásia “já atravessou várias legislaturas com várias consultas públicas, inclusive áreas da medicina e também saúde mental”.

ISP: “Medida injusta e mesquinha”. Saiba o que dizem os partidos sobre os ajustes do Governo

Os partidos com representação parlamentar demonstram-se contra a posição tomada pelo Executivo de António Costa relativamente ao ISP.

Eutanásia. PSD justifica referendo com “caminho de não retorno” em matéria de “interesse nacional”

O projeto de resolução do PSD de referendo sobre a despenalização da eutanásia, hoje revelado, defende a consulta popular por considerar que está em causa “uma questão de relevante interesse nacional” que implica “um caminho de não retorno”.
Comentários