Martim Brion expõe “Produção (re) produção” na galeria NAVE

A primeira exposição individual do artista que vive e trabalha em Munique é acolhida pela galeria NAVE, em Lisboa, convida o espetador a mergulhar num “cenário de pesquisa em tempo real e de (re)produção imediata”.

O ciclo de exposições de 2023 na galeria NAVE tem início a 9 de fevereiro, com a mostra intitulada “Produção (re) produção”, de Martim Brion, naquela que é a primeira exposição individual do artista na galeria, desde o início da sua representação em 2022.

O que espera o visitante? Longe de um “happy end” de um processo, Martim Brion opta por convocar um espaço de produção onde o visitante dispõe das ferramentas do artista para “uma montagem visual livre, um cenário de pesquisa em tempo real e de (re)produção imediata”, como se pode ler no comunicado sobre a exposição.

Cabe assim ao espectador construir a narrativa ao ritmo do seu olhar, e à imagem que este projeta no seu subconsciente. Compete ao espetador “produzir relações com o mundo, e materializar de uma ou outra forma a relação com o espaço, acrescentando tempo.”

Por outras palavras, neste caso do próprio artista, “o que se entende por produção tem vindo a mudar com o tempo, assim como os métodos de fazer arte. A própria palavra, produção, que vem do latim, producere – ato ou efeito de produzir –, deixou de significar algo artesanal para passar mais frequentemente a significar um processo industrial que tem métodos de produção bem planeados e definidos”.

E que mais interrogações tem Martim Brion? Muitas, entre elas saber onde se situa a ideia, pois é necessário ter uma ideia para se poder criar algo. Daí a pergunta: “Será que já existe na cabeça de alguém, ou estará escrita algures, mesmo que num papel desconhecido ou não acessível, ou pode mesmo existir algures no éter?”, questiona o artista.

Breve nota biográfica

Martim Brion investiga o potencial estético contínuo de uma linguagem simplificada de cor e forma. A sua obra é uma combinação de vários interesses coalescentes, desde a utilização de referências literárias, à procura de uma forma polida e equilibrada na sua obra escultórica, passando pelo seu diário visual exposto na sua fotografia ou o foco na obra criada digitalmente. É uma prática diversificada e evolutiva, que passou a englobar mais campos e interesses à medida que amadureceu, sem nunca perder a sua consistência e foco.

Para ver de 9 de fevereiro a 24 de março na galeria NAVE, em Lisboa.

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