Mas, porém, todavia, contudo

Conjunção – De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as conjunções podem ser classificadas em coordenativas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo caso, […]

Conjunção – De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as conjunções podem ser classificadas em coordenativas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção depende da existência do outro.

Há uma forma moderna de comunicar politicamente. Perante as adversidades gerais e o “laisser faire” dominante escolhido por quem não faz ideia o que fazer para obviar o drama, o político moderno declara, disserta. Por vezes contrapõe atabalhoadamente umas hipóteses de explicação ou, mais atrevido, até alerta para as diferenças do que ao comum dos mortais parece andar tudo ligado. Tudo isso lhe está permitido. Proibido mesmo só decidir, criar uma ação concreta.
Lembrei-me disto ao ouvir esta semana Harlem Désir, secretário de Estado dos Assuntos Europeus de França. Depois de lido o curriculum, é difícil encontrar alguém melhor posicionado para o cargo. Ex-presidente da SOS Racismo e defensor dos imigrantes de Lille – onde residiu – este ex-trotskista foi amnistiado por François Miterrand depois de ter sido condenado a um ano e meio de cadeia por desvio de fundos e por receber um salário indevido de 8900 francos. De cadastrado à alta política foi um salto para este filho da Martinica.
Em vez de criticar, explicar, dizer como se faz para sair da crise que assola o capitalismo desde – pelo menos – 2008, Désir disserta. Contudo, é a favor da redução da despesa pública. Porém, apoia o apoio ao investimento. E a qualificação e o emprego para jovens e o etecetera…
Explana a sua preocupação com o discurso xenófobo, antieuropeísta e nacionalista de certas formações políticas, e até Governos – como o britânico. Mas apela à luta contra os grupos extremistas da ISIS e outros. Todavia, há que não confundir estes com o resto dos muçulmanos franceses, que são todos boas pessoas.
Concede que existe uma crise de confiança que leva os franceses e outros povos da Europa a votar em partidos xenófobos, como a FN. Contudo, não acredita que todos os que votam em Marine sejam extremistas. Por isso, temos de alertar para o discurso anti-imigrante.
Contudo, à cautela, é a favor do Frontex, uma coisa assim “para a frentex” que não funciona nem sai de cima. Trata-se de um organismo de “defesa de fronteiras externas” (sim, externas, porque internamente existe Schengen), criado já há uns anos, mas que – promete Désir – vai começar a trabalhar agora, de forma séria. Tem como missão destrinçar o que são os verdadeiros refugiados dos que querem vir para cá viver à gola. E porquê? “Não devemos deixar que os antieuropeus digam que não temos capacidade de estancar as entradas ilegais”.
Mas não deve fazer um discurso anti-imigração, de que já foi acusado por algumas ONG. Também nem sequer vale a pena preocupar-se muito com o Frontex – paga mal, não tem corpo permanente de funcionários (que são poucos), deixa entrar todos os anos milhares de pessoas pela fronteira sul. É uma brincadeira, com um belo edifício em Varsóvia.
Da ISIS diz mal, claro. Descreve longamente a razão da existência desses “bárbaros”, que perpetram “horrores não diferenciados” (?)… “Mas não devemos ter medo da imigração”. Os terroristas, como se sabe, são todos lá do Iraque e da Síria e de Marrocos. Porém, o secretário não esquece que foram contratados “milhares de europeus e de outros países” para combater nas fileiras desses extremistas. Contudo, “a liberdade de circulação não pode ser posta em causa”.
Portanto, tudo bem. Contudo, tudo mal. Porém, não fazemos nada. Todavia há que ter esperança. É que “a Europa é o nosso bem mais precioso”, dispara Harlem.

Márcio Alves Candoso
ma.candoso@gmail.com

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