M(at)utemos a gestão imobiliária

Com a migração de capital estrangeiro para investimento em Portugal desde o quarto trimestre de 2013, o qual se tem verificado saudavelmente intenso até ao fim de 2014, sendo previsível que se mantenha durante pelo menos o primeiro trimestre de 2015, tem-se observado um crescimento sustentável dos grandes “players” do mercado no número de metros […]

Com a migração de capital estrangeiro para investimento em Portugal desde o quarto trimestre de 2013, o qual se tem verificado saudavelmente intenso até ao fim de 2014, sendo previsível que se mantenha durante pelo menos o primeiro trimestre de 2015, tem-se observado um crescimento sustentável dos grandes “players” do mercado no número de metros quadrados sob gestão, onde a CBRE tem um papel preponderante como líder ibérico na gestão de ativos imobiliários.

Apesar dos investidores, na sua grande maioria fundos ou empresas de grande dimensão do sector imobiliário, necessitarem da segurança de uma gestão eficaz que lhes proporcione uma rentabilização elevada, procuram também de forma premente novas formas de pensar o imobiliário, na sua manutenção, valorização e projeção… procuram sobretudo um resultado e não um serviço. Não é mais possível, por exemplo, ter equipas de “Leasing ou de Property Management” de costas viradas, cada uma puxar à boa maneira portuguesa “a brasa à sua sardinha”; assim como Jürgen Habermas (filósofo e sociólogo alemão) defende, deveremos transitar de uma sociedade de ações estratégicas para uma sociedade de ações comunicativas, alcançando-se o consenso e o melhor objetivo para o grupo.

O mercado português necessita de evoluir para outros patamares de qualidade e excelência na prestação de serviços de gestão imobiliária, incluindo ferramentas digitais, serviços integrados de gestão, assim como equipas multidisciplinares que veem os ativos e/ou portefólios como um todo. É portanto imperativo apercebermo-nos que as premissas da gestão estão a mudar, dado que virá a existir alguma escassez de produto num futuro a médio prazo. A antecipação do aparecimento dos problemas e a resolução com excelência aumentará a credibilidade do mercado português junto dos investidores institucionais, como um mercado maduro e competente, capaz de potenciar os seus investimentos.

A sustentabilidade deve ser um veículo e não um objetivo; o objetivo final (e único!) de aumento do valor do ativo é automaticamente alcançado quando as premissas corretas forem adotadas: ética, gestão contratual rigorosa, defesa do proprietário e ocupante/utilizador, e políticas ambientais que se alinhem com a proteção do meio ambiente. Ao serem introduzidas políticas sustentáveis ao nível da gestão iremos, sem dúvida, tornar um ativo economicamente interessante, não só do ponto de visto do ocupante/utilizador, mas também do gestor (a manutenção torna-se mais equilibrada e estável) e do proprietário (valorização do ativo e visibilidade positiva na opinião pública). Não é mais possível poupar na conta da utilização de materiais e mão-de-obra. É necessário investir tempo e capital num ativo para que o seu retorno seja consecutivamente positivo.

Para contrariar a possibilidade de estagnação e como “amuse-bouche”, irão surgir novidades muito relevantes no mercado português. Novas formas de pensar e gerir, sistemas de gestão integrados e com uma abrangência de 360º sobre os ativos e as SPV – Special Purpose Vehicle que os detêm. O ano 2015 será sem sombra de dúvida um momento de mudança na gestão imobiliária em Portugal, onde se esperam mais transações e investimentos de relevo, que necessitarão de uma gestão qualitativa e quantitativamente mais musculada.

Tiago Pinto Carneiro

Asset Manager do Departamento Gestão de Ativos Imobiliários da CBRE

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