Maxyield: “Entrada de novos acionistas no Banco CTT não pode ser feita abaixo do justo-valor”

Na operação anunciada a Tranquilidade/Generali Seguros ficará com 8,71% que representa 28,3 milhões de ações do novo capital no quantitativo de 324,7 milhões de títulos, pelo que o valor unitário a pagar pelas ações a subscrever é de 0,88 euros, refere a Maxyield, que tem um histórico tenso com os CTT, que admitem que o closing do negócio possa resvalar para dezembro de 2023.

A negociação da entrada de novos acionistas nas empresas subsidiárias do Grupo CTT não pode ser feita abaixo do justo valor (fair-value). Quem o diz é a Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas, registada na CMVM como Associação de Defesa dos Investidores.

A Maxyield traça críticas às recentes notícias do grupo CTT, nomeadamente, o acordo de parceria estratégica com a Tranquilidade, a criação de um veículo para gerir o património imobiliário e ainda as contas do terceiro trimestre.

A mesma associação diz que “causa igualmente surpresa as condições de subscrição de um aumento de capital da subsidiária bancária, reservado de 25 milhões de euros pela Tranquilidade/Generali Seguros anunciadas após a apresentação de resultados trimestrais dos CTT e antes da apresentação de contas do 3º trimestre pelo Grupo Banco CTT, com previsão da conclusão da transação antes do final de 2023”.

O Banco CTT à data de 30 de Junho dispunha de 296,4 milhões de ações, todas com o valor de emissão de um euro, sendo que o capital próprio totaliza 245,63 milhões, ao qual corresponde o valor contabilístico de 0,83 euro por ação.

Recordamos que o último aumento de capital do banco CTT, feito pelos CTT foi realizado em 2021 no quantitativo de 10 milhões de ações pelo valor unitário de emissão de um euro.

Na operação anunciada a Tranquilidade/Generali Seguros ficará com 8,71% que representa 28,3 milhões de ações do novo capital no quantitativo de 324,7 milhões de títulos, pelo que o valor unitário a pagar pelas ações a subscrever é de 0,88 euros. “Isto significa um Price-to-Book Value de 1,06 baseado no capital próprio do Banco CTT a 30 de Junho de 2022. Estamos perante uma nova desvalorização do Banco CTT, com consequências irreparáveis, contrariando tudo o que tem sido dito pelos seus responsáveis, sendo que este acordo demonstra que não tem atraído investidores bancários interessados numa participação no banco”, acusa a Maxyield.

“Por outro lado, esta dita parceria, dita estratégica, vai gerar nos próximos 6 (seis) anos pagamentos fixos anuais ao Banco CTT de 1,5 milhões de euros e à empresa CTT de 166,7 mil euros. Como os CTT distribuem presentemente seguros de outras companhias, lamenta-se que nada tenha sido dito sobre a forma de desenvolvimento futuro da atividade seguradora na sua rede de lojas e forma de compensação pela perda de rendimentos atuais com a substituição de seguros a distribuir”.

Face à dimensão e conteúdo destas preocupações,” esta Associação transmitirá à CMVM e à Anacom as informações tidas por relevantes em função da respetiva natureza, levando estas posições ao conhecimento dos acionistas relevantes e revisor oficial de contas”, anuncia a Maxyield.

Face à dimensão e conteúdo destas preocupações,” esta Associação transmitirá à CMVM e à Anacom as informações tidas por relevantes em função da respetiva natureza, levando estas posições ao conhecimento dos acionistas relevantes e revisor oficial de contas”, anuncia a Maxyield.

A associação liderada por Carlos Rodrigues analisou ainda a divulgação dos resultados do 3º trimestre de 2022 do Grupo CTT, “relativamente à qual emergem um conjunto de preocupações”. A Maxiyeld conclui pelo “fraco desempenho empresarial e desalinhamento com interesses de longo prazo dos CTT”.

O EBIT consolidado recorrente, que constitui o principal indicador da performance económica empresarial,  “baixou de 39,7  milhões no final do 3º trimestre de  2021 para 38,8 milhões no final do 3ºdtrimestre deste ano, muito longe do intervalo de 65 a 75 milhões anunciado no início de maio, como guidance e reafirmado no Capital Market Day em Junho”, começa por salientar a associação.

O resultado líquido atingiu 28,3 milhões no final do 3º trimestre contra 26,3 milhões no período homólogo do ano anterior, “tendo sido omitido o contributo da NewSpring Services que não compara com 2021 nos primeiros oito meses do ano, pois a sua aquisição ocorreu em 30 de Agosto de 2021”, refere a Maxyield.

A associação não desarma e diz mesmo que “apesar da subestimação e desvalorização a que tem sido sujeito o negócio tradicional (Correio e Serviços Financeiros & Retalho), este continua a ser determinante para o desempenho empresarial do universo CTT, representando 75% do EBIT recorrente gerado no 3º trimestre de 2022 e constitui a principal fonte para alimentar o desejo de alcançar a parte inferior da guidance”.

O Net Income do negócio Expresso & Encomendas, “é tendencialmente nulo, apesar de ser considerado uma alavanca de crescimento que representa 28,3% da receita total do Grupo CTT”, apontam.

A associação destaca ainda que se mantém “a persistente rentabilidade negativa da operação em Espanha (negócio do Expresso & Encomendas) cujos prejuízos acumulados já atingem 77,5 milhões (75,4 milhões em 31 de Dezembro de 2021).

Continuam os Resultados Operacionais negativos do Banco CTT em contas individuais após 6,5 anos de atividade, “contabilizando no final do 1º semestre deste ano prejuízos acumulados de 60 milhões de euros, apesar dos contributos positivos das subsidiárias”.

“Recordamos a existência de fortes indícios de subsidiação cruzada na utilização das Lojas dos CTT pelo Banco CTT, com impacto na transparência nas Demonstrações Financeiras, sendo que este aspecto deve ser objeto de análise antes da conclusão da transação de abertura do capital do Banco CTT”, salienta ainda a Maxyield.

A associação diz também que se “verifica uma perda de valor empresarial com a operação payback do Grupo CTT, que pode ajudar a explicar comportamento bolsista da ação, com uma quebra anual da cotação de 40,5% no final de setembro, liderando de forma destacada o ranking dos títulos com diminuição de valor”.

“Esta situação ocorre devido à compra de ações a preço (média de 3,55 euros) muito superior ao seu valor contabilístico e assume as dimensões do quadro seguinte, permitindo concluir que os dividendos e aquisição de ações próprias superaram os efeitos positivos gerados pelos resultados líquidos de 2022”, apontam.

A Maxyield considera “questionável o alinhamento da gestão com os interesses de longo prazo dos CTT, visando a sustentabilidade da companhia, determinante para a remuneração variável LP dos membros da Comissão Executiva, sendo que o processo de composição do novo Conselho de Administração a eleger na próxima Assembleia Geral, não pode ignorar ou subestimar este assunto”.

Mas as críticas não se ficam por aqui. A associação que tem um histórico de relação tensa com os CTT acusam de “inexistência de informação ao mercado sobre os níveis de qualidade das prestações que integram o Serviço Público Universal” o que consideram ser “uma legítima preocupação”.

“É incompreensível a ausência de explicação para os extravios, danos nos objetos e erros nas entregas, contribuírem para  indemnizações a clientes num montante superior a 1,2% dos rendimentos de Expresso & Encomendas”, defende a Maxyield.

Maxyield preocupada com o impacto da criação do veículo imobiliários no Serviço Público Universal

“Manifestamos preocupação com a forma de criação do veículo empresarial para gerir os ativos imobiliários, designadamente as consequências dessa decisão para os custos do Serviço Público Universal e afastamento dos acionistas atuais das eventuais soluções que venham a ser adotadas, assim como a avaliação do parque imobiliário, a revalorização destes ativos e respetiva expressão contabilística”, refere ainda a associação que fala da CTT IMO, um veículo especial que vai passar a deter e gerir o portefólio de retalho e logística dos CTT. A empresa liderada por João Bento anunciou a 19 de junho estar “em negociações exclusivas com uma terceira parte”, que deverá “co-investir no veículo em conjunto com investidores adicionais”. Em causa está o chamado “Portefólio de Rendimento”, que contempla cerca de 400 imóveis com área bruta de 240 mil m2 e avaliados em 110 milhões de euros.

A 22 de Dezembro de 2021, foi constituída a subsidiária CTT IMO – sociedade imobiliária para a compra, permuta, venda e arrendamento de bens imobiliários, e revenda dos bens adquiridos para esse fim” com um portfólio de Rendimento composto por 400 imóveis com um valor contabilístico líquido de 110 milhões e um  portefólio de desenvolvimento constituído por até 10 imóveis, com um valor contabilístico líquido de 24 milhões de euros, que apresentam um potencial de desenvolvimento e promoção imobiliária em projetos específicos.

Entretanto, no dia 31 de Outubro de 2022, os CTT- Correios de Portugal procederam à constituição da subsidiária CTT IMO Yield, para deter e gerir o portfólio de rendimento e tendo como objeto social as atividades de arrendamento e exploração de bens imobiliários, bem como as atividades de compra e venda de bens imobiliários.

“Causa muitas dúvidas a venda pelo Banco CTT, no dia 8 de Julho de 2022, da Pay Shop aos CTT, após esta subsidiária ter sido transferida na sua totalidade, em 4 de janeiro de 2018, para o universo da entidade bancária a título de aumento de capital social no montante de 6.400.000 euros [6,4 milhões], com o valor de emissão de um euro, sendo que a sua concretização está ainda dependente da assinatura do contrato com o comprador e da não oposição do regulador, que se espera que venha a ocorrer no prazo de um ano”, alerta a Maxyield.

A associação chama ainda a atenção para a “canibalização de negócios no Grupo CTT, designadamente entre o Grupo Banco CTT e os Serviços Financeiros Tradicionais, assim como na relação do Correio físico com os negócios Expresso & Encomendas e e-Commerce, deve merecer maior e melhor atenção”.

“As condições de comercialização de serviços prestados, designadamente gestão de clientes e níveis de cobrança, com reflexo nas contas a pagar, relativamente às quais não se encontra nenhuma nota explicativa nas Demonstrações Financeiras, é igualmente uma preocupação”, referem ainda.

Considerando a contabilização do Banco CTT como uma participação financeira mensurada pelo método da equivalência patrimonial, “o Fundo de Maneio dos CTT baixou 42,7 milhões de euros no decurso de 2022 passando para -128,4 milhões de euros”, alertam.

“O reconhecimento pela gestão de topo de incorreções no Relatório & Contas de 2021, sem que tenha sido publicada a devida errata, não é o procedimento mais adequado, e demonstra falta de respeito pelos acionistas e investidores em geral”, acusam.

Este conjunto de conclusões sobre a atual situação dos CTT é “particularmente negativo”. Por isso, concluem, “não podemos deixar de alertar para a história empresarial dos últimos 10 anos no país, designadamente situações de implosão de Organizações, que foram outrora jóias da coroa do mercado de capitais e que desapareceram. Esta Associação respeita muito os CTT como empresa do mercado de capitais e não deseja que tal aconteça”.

“Este Clube de Investimento tem encontrado disponibilidade na obtenção de esclarecimentos pela generalidade das sociedades cotadas, não se tendo verificado relativamente aos CTT idêntica abertura”, acusam ainda.

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