Mckinsey e Sá Carneiro custam 2 milhões à CGD

O banco do Estado suportou as faturas da Mckinsey e dos advogados escolhidos por António Domingues. Cada uma delas está abaixo dos 5 milhões.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

A fatura que a CGD pagou pelos serviços prestados pela consultora Mckinsey na elaboração do Plano de Recapitalização aprovado por Bruxelas, antes da entrada da administração de António Domingues, rondou os 1,5 milhões de euros, soube o Jornal Económico junto de fonte conhecedora do processo.

A consultora trabalhou largos meses na elaboração do plano que tornou possível a nomeação de António Domingues como presidente da CGD, em agosto passado. Tendo depois a quase totalidade da administração saído do cargo no fim do ano passado, na sequência da polémica em torno da obrigação de entregar as declarações de património ao Tribunal Constitucional.
O custo mensal que a Mckinsey cobrou pelos serviços rondou os 300 mil euros por mês. A consultora continua a trabalhar para a CGD e neste momento a fatura já ultrapassa os 4 milhões de euros, revelam fontes.

A Administração da CGD liderada por António Domingues, antes de sair, aprovou o pagamento das faturas dos assessores externos – Mckinsey e a sociedade Campos Ferreira, Sá Carneiro e Associados que foram contratados pelo banco à posteriori dos serviços prestados.
Já a fatura dos advogados que ajudaram na elaboração da lei que excluiu os gestores da CGD do Estatuto do Gestor Público, somou os 400 mil euros (antes de Domingues entrar) e como continuaram a prestar serviços a conta já está em quase um milhão, soube o Jornal Económico.

Como são valores abaixo dos 5 milhões de euros escapam à fiscalização prévia do Tribunal de Contas. Uma vez que  a Fiscalização Prévia do Tribunal de Contas que “tem por fim verificar se os atos, contratos ou outros instrumentos geradores de despesa ou representativos de responsabilidades financeiras diretas ou indiretas”, exclui os contratos inferiores a 5 milhões de euros.

No dia 27 de setembro o então presidente da CGD na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da CGD disse que  a escolha dos consultores foi sua: “Foi baseada na minha experiência”, explicou.

António Domingues acrescentou acreditar que eram os consultores adequados para desenhar o plano estratégico e dar o apoio jurídico para apoiar a negociação junto da Direção-Geral da Concorrência da Europeia. Questionado sobre quem paga esta contratação, António Domingues indicou que, em agosto, escreveu “uma carta ao ministro das Finanças” em que defendia que “o pagamento dos consultores devia ser feito pela CGD”. E que o Ministro  das Finanças acedeu a esse pedido.

Na altura António Domingues explicava que o conselho de administração iria votar a assunção desse encargo  numa deliberação em que António Domingues não iria votar, declarou aos deputados, para evitar o conflito de interesse. No fim de julho, Mário Centeno tinha dito na sua audição da comissão de inquérito que não sabia quem tinha contratado aquelas consultoras. “As respostas que dei foram que o Estado não contratou essa assessoria e a CGD não contratou essa assessoria”.
António Domingues confirmou no dia 4 de janeiro na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa que tinham sido aprovadas pela Administração da CGD as facturas dos advogados e da Mckinsey. Na altura voltou a explicar que informou o ministro das Finanças e escreveu uma carta a dar conta dos trabalhos e valor que propunha fosse levado ao Conselho de Administração da Caixa, “e foi isso que aconteceu”.

É de salientar que o Ministro das Finanças admitiu em conferência de imprensa ter sido o escritório de Campos Ferreira, Sá Carneiro & Associados, escolhido por Domingues, a fazer a lei que alterou o Estatuto do Gestor Público. “O acto legislativo foi da minha iniciativa, mas a substância do acto legislativo foi feito com o apoio de uma equipa de juristas e consultores financeiros”.

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