Media Capital sobreavaliou resultados do semestre em 3,2 milhões de euros

Na nota, enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a dar conta dos resultados da empresa até setembro, a dona da TVI incluiu umas “notas introdutórias” que dão conta de uma auditoria que encontrou algumas “incorreções”.

Rosa Cullell, ex-diretora executiva da Media Capital | Cristina Bernardo

O resultado líquido semestral da Media Capital estava “sobreavaliado em aproximadamente 3,2 milhões de euros”, de acordo com uma “auditoria voluntária” efetuada à sociedade, lê-se num comunicado hoje divulgado.

Na nota, enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a dar conta dos resultados da empresa até setembro, a dona da TVI incluiu umas “notas introdutórias” que dão conta de uma auditoria que encontrou algumas “incorreções”.

“Tendo em consideração a auditoria voluntária realizada às demonstrações financeiras consolidadas da sociedade a 30 de junho de 2019, por parte do auditor da sociedade foram identificadas incorreções relativas a, entre outros, erros de corte de operações àquela data, relacionadas com prestações de serviços e gastos operacionais, estando o resultado líquido consolidado a 30 de junho sobreavaliado em aproximadamente 3,2 milhões de euros”, lê-se na mesma nota.

O grupo Media Capital teve lucros de 5,9 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, que comparam com os lucros de 10,5 milhões de euros no mesmo período de 2018.

Além disso, foram identificados “pagamentos efetuados a terceiros após a referida data [30 de junho] no montante de, aproximadamente, 1,6 milhões de euros, reconhecidos no período incorreto”.

Por causa destas incorreções, “em 30 de junho de 2019 o ativo e o passivo encontram-se subavaliados em, aproximadamente, 300.000 euros e 3,5 milhões de euros respetivamente”, segundo o comunicado da Media Capital.

“Em consequência, o Conselho de Administração da sociedade aprovou a informação intercalar relativa ao terceiro trimestre do exercício de 2019, tendo considerado nas respetivas demonstrações financeiras os efeitos identificados pelo auditor da sociedade que eram aplicáveis a 30 de setembro de 2019”, informou a empresa.

Os lucros do grupo caíram 90% até setembro, para 1,18 milhões de euros, de acordo com a informação hoje conhecida.

Na mesma nota, a Media Capital revelou ainda que, “na data de aprovação das presentes demonstrações financeiras”, ou seja, dos primeiros nove meses de 2019, “existem reclamações por parte de duas agências de meios e publicidade relativas à prestações de serviços que estariam pendentes de liquidação no montante máximo de 3,274 milhões de euros”.

Estas reclamações, esclareceu o grupo, “foram recebidas após 21 de setembro de 2019, data em que a Promotora de Informaciones S.A. (Prisa) acordou vender à Cofina, SGPS, S.A. (Cofina) a totalidade da participação que a Prisa detém na Vertix, SGPS, S.A, que por sua vez é titular de 94,69% do capital social da sociedade”, disse a empresa.

No entanto, da análise realizada “constatou-se a inexistência de documentação contratual formalizada entre a TVI e as referidas duas agências de meios e publicidade que reflitam os montantes reclamados”, reconheceu o grupo.

“Na presente data, a sociedade encontra-se em conversações com as referidas agências de meios e publicidade sem que se tenha, à presente data, alcançado conclusões sobre o eventual impacto que tais reclamações possam ter nas presentes demonstrações financeiras consolidadas condensadas a 30 de setembro de 2019”, explicou a empresa.

Por sua vez, a Cofina anunciou hoje ter acordado com a Prisa a redução do preço de aquisição da Media Capital em 50 milhões de euros, segundo um comunicado enviado à CMVM.

A redução do preço foi feita através de um aditamento ao contrato de compra.

Na informação publicada no ‘site’ da CMVM refere-se que, com a celebração deste aditamento, “as partes acordaram na redução do preço de aquisição previsto no Contrato de Compra e Venda, que é agora de 123.289.580 euros, assumindo um ‘enterprise value’ [valor da empresa] de 205.000.000 euros”.

A redução agora comunicada corresponde a 50 milhões de euros face aos 255 milhões de euros que tinham sido comunicados em 21 de setembro.

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