Médicos reivindicam melhores condições de trabalho

Em dez anos não foram abertos concursos para a progressão dos médicos. António Arnault e sindicatos consideram-nos a sustentabilidade do serviço público e pedem o seu regresso.

Os sindicatos vão exigir o regresso dos concursos regulares e querem discutir o assunto com o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. A notícia é avançada esta segunda-feira pelo “Diário de Notícias”, que escreve que os jovens médicos ponderam, em primeira opção, escolher o setor privado ou emigrar.

Os sindicatos médicos estão preocupados com a progressão nas carreiras, na sequência da falta de concursos. De acordo com o jornal, as entidades vão reunir-se no dia 13 de dezembro com o ministério para debater os incentivos à fixação de médicos no Interior e consideram que a questão dos concursos deve fazer parte da mesa de trabalhos.

O Sindicato Independente dos Médicos explicou ao DN que, entre 2005 e 2016, reformaram-se 1498 médicos seniores e só foram abertos concursos para 350, o que se reflectiu em diversas vagas por ocupar. “Durante este período de nove anos eram necessários 800 assistentes graduados seniores. São importantes, são a experiência e a capacidade formativa. Queremos que exista regularidade na atribuição de competências com concursos de dois em dois anos e concursos anuais para seniores”, esclareceu Jorge Roque da Cunha.

Na perspectiva de Mário Jorge Neves, da Federação Nacional dos Médicos, o debate em torno do problema tem sido feito mas revela-se insuficiente. O sindicalista afirma ao DN que “ao longo de vários anos, houve uma ação deliberada para provocar o esvaziamento progressivo das carreiras médicas, nomeadamente o bloqueio ostensivo de progressão e a suspensão de concursos para a obtenção de novos graus e categorias e de preenchimento de lugares nos diversos locais de trabalho”-

Para António Arnaut, conhecido por ‘pai’ do Serviço Nacional de Saúde, a sustentabilidade do SNS está nas carreiras médicas, que são “a pedra basilar do SNS”. “Significava estabilidade, aperfeiçoamento permanente, promovem os concursos, o reconhecimento por mérito, condições de trabalho”, sublinha.

Na opinião do presidente do Conselho Nacional do Médico Interno, não existem “grandes carreiras” para os jovens médicos e o emprego baseia-se em contratos individuais de trabalho. “Abriram alguns concursos para assistentes técnicos graduados, mas tem estado tudo congelado. Houve uma degradação das condições, redução dos recursos humanos, das remunerações, as urgências estão lotadas”, diz Edson Oliveira ao DN.

O responsável conta que o privado tem conquistado terreno que antes se cingia ao SNS: “Não só ganham mais como também conseguem ser atrativos com intervenções de complexidade técnica e atividades académicas”, acrescenta.

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