Médicos têm de voltar a ter papel social “neste momento de aflição”

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos defendeu hoje que estes profissionais têm de voltar a ter um papel social, para fazer face às dificuldades e incertezas que se vivem na área da saúde.

“Os médicos têm de voltar a ter este papel social neste momento de aflição, de incerteza e até de desorientação do próprio poder político, em encontrar as respostas certas para as necessidades em saúde dos portugueses”, sustentou Carlos Cortes, depois de recordar o Serviço Médico à Periferia, em que no final dos anos 1970, os médicos “levavam a saúde a todos os cantos do país”.

Durante a conferência de imprensa de apresentação do Simpósio “As crises sociais e o impacto do SNS”, que acontece em Coimbra de dia 15 a dia 17, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos explicou que esta iniciativa vai servir para fazer uma análise do momento atual.

“Uma análise aprofundada daquelas que são as dificuldades, não só do Serviço Nacional de Saúde, mas também do sistema de saúde em toda a sua globalidade. Mas, mais do que fazer um levantamento dos problemas, até porque muitos deles já são conhecidos de todos nós, o que pretendemos é lançar pontes para o futuro”, apontou.

Carlos Cortes realçou a importância de se encontrarem soluções para que o país tenha “um Serviço Nacional de Saúde verdadeiramente universal, com resposta de igualdade e também de equidade”.

Para tal, considerou que é necessário tornar o SNS atrativo, de forma a evitar a saída destes profissionais de saúde para o setor privado ou para o estrangeiro.

“Está a acontecer um fenómeno novo, em que alguns médicos, desmotivados com as condições para poderem tratar os seus doentes, pura e simplesmente deixam a profissão médica”, acrescentou.

O representante dos médicos do Centro apontou a necessidade de se encontrar “uma resposta enérgica e célere”.

“Não podemos estar à espera, como não podemos estar à espera tantos dias de ter um novo titular para a pasta da Saúde. É preciso agir, encontrar e implementar as soluções, porque as doenças não esperam”, alegou.

Sobre o simpósio de três dias, que se realizará no Pavilhão de Portugal, em Coimbra, Carlos Cortes evidenciou que o arranque está marcado para o Dia do Serviço Nacional de Saúde, que se assinala a 15 de setembro.

“Vai falar muito do passado e do enorme contributo que os médicos dão ao SNS”, sendo homenageada uma “personalidade ímpar de Coimbra”: Mário Mendes, um médico da área da ginecologia e obstetrícia.

“Teve um papel muito importante no grande movimento dos anos 60, das carreiras médicas, e mais tarde foi quem liderou o grupo de trabalho que iria dar a génese ao SNS. Homenageando o doutor Mário Mendes, estamos a elogiar o trabalho de todos os médicos, mas também no seu enorme contributo para a saúde e SNS ao longo dos tempos”, indicou.

O presente e o futuro da saúde também estarão em destaque nos vários painéis, mesas redondas e debates previstos para os três dias, onde marcarão presença médicos de vários pontos do país.

O programa incluiu ainda duas conferências, uma delas contando com a antiga ministra da Saúde e da Igualdade, Maria de Belém Roseira.

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