Medidas Covid-19 sem investimento no SNS

E se é certo que a defesa da saúde pública deve ser prioritária, não se pode secundarizar outras questões como a economia, o trabalho e a salvaguarda de direitos e da dignidade de quem trabalha. Como conciliar as duas preocupações? Investindo no SNS, o que a avaliar por estudos recentes, e mesmo ante a realidade que vivemos, houve mesmo um decréscimo na aposta das (imensas) necessidades de recursos humanos e materiais para a saúde.

A entrar em 2022 a apreensão dos últimos dois anos continua: mais medidas restritivas são avançadas pelo governo no âmbito da pandemia que parece não nos querer dar tréguas. E se é certo que a defesa da saúde pública deve ser prioritária, não se pode secundarizar outras questões como a economia, o trabalho e a salvaguarda de direitos e da dignidade de quem trabalha. Como conciliar as duas preocupações? Investindo no SNS, o que a avaliar por estudos recentes, e mesmo ante a realidade que vivemos, houve mesmo um decréscimo na aposta das (imensas) necessidades de recursos humanos e materiais para a saúde.

A estas afirmações não são alheias as notícias que nos dão conta da insatisfação dos profissionais de saúde, assinaladas por demissões em bloco de médicos e direções clínicas em alguns hospitais do país. Reclamam das condições de trabalho aliadas à falta de meios para responder não só à pandemia mas também a outras doenças não-Covid-19 – mas nem a catadupa de protestos e demissões têm alertado as entidades governamentais para a necessidade efectiva de se reforçar o SNS. Não basta prometer que se vão contratar mais profissionais de saúde, quando ao fim de tanto tempo continuamos sem a resposta devida e necessária às demandas nos vários equipamentos de saúde do país num quadro quase passividade inadmissível. A exemplo, quantos milhares de utentes ainda não têm médico de família, descurando-se assim uma vastidão de patologias que perigam a saúde pública e remetendo tantos utentes ao perigo de agravamento ou complicação das suas doenças?

“Nos Centro de Saúde (CS), se se comparar novembro de 2019, ano anterior à pandemia, com novembro de 2021, o número de utentes com médico de família diminuiu em 232.776, e o número dos utentes sem médico de família aumentou de 689.942 para 1.081.136, portanto uma subida impressionante de 56,3%” (dados de um estudo de Eugénio Rosa).

Vêm muitas das entidades tutelares, regionais e nacionais, negar a restrição de acesso a consultas presenciais nos CS quando uma faixa significativa da população, e mesmo no nosso círculo social, se queixa de sucessivos cancelamentos e adiamentos, de meses a mais de um ano, de consultas essenciais ao seu bem-estar, vida e saúde. Se dúvidas houvesse é atentar mais uma vez nestes números: “nos Centros de Saúde, se se comparar o mês de dezembro de 2019 (último mês do ano anterior à pandemia) com outubro de 2021, conclui-se que as consultas presenciais diminuíram em 169.252 (-11,2%) ” até porque muitos dos médicos dos CS foram mobilizados para o acompanhamento da Covid-19.

Como é que se se opta sucessivamente por medidas restritivas de encerramento de pequenas e médias empresas, que sacrificam tantas famílias e trabalhadores, pelo encerramento de creches e escolas e não se investe antes, ou concomitantemente, no SNS? O subfinanciamento da saúde continua; em 2021 o investimento no SNS foi inferior ao de 2020!

Claro que há que empreender diversas soluções de combate sanitário à Covid-19, mas sem empurrar o país para a degradação económica e social – afinal fomos líderes da vacinação, e bem, com resultados que evidenciam a sua eficácia: menos mortes e menos internamentos. Logo, fixem-me medidas, sim, epidemiológicas e de saúde pública, mas não se descure a dimensão socioeconómica das populações, e famílias (a quem o salário a 100% já não é pago se tiverem de assistir aos filhos menores, no âmbito da pandemia).

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