Medidas para as empresas “não resolvem o problema da rentabilidade e transição energética”, diz Business Roundtable

Na opinião da associação que tem como presidente Vasco de Mello, o que falta são “medidas que resolvam os estrangulamentos do licenciamento e autorizem as redes energéticas a fazer os investimentos necessários para acelerar fortemente o aumento do autoconsumo e das renováveis”.

“Esperamos que o Governo português seja mais estratégico e ambicioso na sua atuação, até por concordarmos que alguns aspetos da crise são mais estruturais e permanentes”, refere em comunicado da Associação Business Roundtable Portugal (Associação BRP) por reação às medidas ontem anunciadas pelo Governo para apoiar as empresas a enfrentar o cenário de inflação.

Sobre as iniciativas apresentadas pelo Governo para apoiar as empresas a Associação BRP, que representa  42 dos maiores grupos empresariais portugueses, concorda com o “fundamental de manter os esforços em sede de consolidação e da sustentabilidade das contas públicas”.

“Congratulamo-nos com a aposta na (re)qualificação de ativos e desempregados em áreas e competências verdes. É um reconhecimento do PRO_MOV, uma iniciativa conjunta com o IEFP e que conta já com 41 empresas e que visa a qualificação nesta área, mas também nas áreas do digital, saúde, business intelligence, excelência de vendas, logística e indústria, agricultura, com o objetivo de requalificar 20.000 portugueses até 2025”, diz a Associação BRP.

A mesma associação também concorda com o Governo que, em Portugal, “já existem vários mecanismos que extraem esses lucros (derrama estadual, contribuição extraordinária sobre energia, tarifas reguladas/sociais, entre outros), não fazendo sentido tal imposto sem revisão dos existentes”.

No entanto avançam com críticas às medidas apresentadas por António Costa Silva.

O que esta mal? São medidas visam apenas o curto prazo (sobretudo financiamento), e não resolvem o problema das empresas (de rentabilidade e da transição energética).

A associação destaca que “medidas que contemplem o gás para a indústria e sobretudo a mais intensiva, mas não tem alternativa energética a curto prazo são tão pequenas que não têm impacto#.

São medidas que “continuam a discriminar as grandes empresas e assim a desencorajar e penalizar o crescimento e o sucesso das pequenas e médias empresas que o país precisa para se desenvolver, ser mais competitivo e pagar melhores salários”, refere a Associação BRP.

A Associação critica o facto de o Banco do Fomento apoiar a Tesouraria com empréstimos “quando devia era apoiar a aceleração da transição energética”.

Na opinião da associação que tem como presidente Vasco de Mello, o que falta são “medidas que resolvam os estrangulamentos do licenciamento e autorizem as redes energéticas a fazer os investimentos necessários para acelerar fortemente o aumento do autoconsumo e das renováveis”.

Os apoios devem ser apenas disponibilizados apenas a empresas que sejam viáveis, evitando o desperdício de recursos com empresas inviáveis (também chamadas de “zombies”) que prendem cerca de 20% dos recursos humanos e de capital do país, defende a associação.

No comunicado a Associação BRP defende “transparência na comunicação à sociedade da forma como são utilizados os apoios extraordinários que estão a ser anunciados”.

“A velocidade e a qualidade da execução é crítica e por isso desafiamos o Governo a ser muito rápido e exigente na aplicação dos apoios às empresas”, defende a Associação BRP que avisa que “Portugal precisa de portugueses mais qualificados e empresas de maior dimensão para emergir desta crise mais competitivo e crescer muito mais”.

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